Essa linha argumentativa da exploração eu acho equivocada. Os mendigos não estarão em melhor situação pela ausência de opção de executar uma atividade arriscada. As crianças vietnamitas não estarão em melhor situação pela ausência de opção de fabricar roupas. Obviamente, é indesejável que tais pessoas estejam nessa condição de vulnerabilidade, mas limitar o campo de ação delas não ajuda. Sobre preferir a perda financeira, subscrevo o argumento do Dusk.

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Espere, estamos analisando a moralidade, não a utilidade. A moral não se define pela utilidade. Ao menos não pra mim. Tanto é que a descrição que eu apresentei é oposta ao utilitarismo. As coisas sempre se perdem nesses debates. Primeiro, o objeto do ato: vandalismo/depredação e apropriação de bens públicos. Segundo, intenção do agente: diminuir a vigilância e a coerção. Terceiro, circunstâncias: abuso estatal, benefício imediato aos moradores de rua, envolvimento de pessoas vulneráveis, ilegalidade da ação e risco de punições aos envolvidos. Se ignoramos o objeto do ato, caímos no intencionalismo (o que vale é a intenção) ou consequencialismo (os fins justificam os meios); se ignoramos a intenção e o objeto, caímos no legalismo (se é legal, é moral; se é ilegal, é imoral) ou no contextualismo (não têm atos intrinsecamente maus, depende do contexto); se ignoramos as circunstâncias, caímos no rigorismo. O primeiro já apresenta alguns problemas que são agravados pelo terceiro.
Nao acho que me perdi não. Vc argumentou 2 problemas: o ato em si, que seria a depredação e a "exploração" do labor dos vulneráveis. Quanto ao primeiro, argumentei que não entendo ser problemático pq é como destruir correntes de escravagistas. Que isto seja ilegal é irrelevante, pois moralidade e legalidade são 2 eixos cartesianos. Quanto ao segundo, estou defendendo que a imoralidade encontra-se na situação em que a pessoa vive, e não em que seu labor seja livremente negociado. Eu já vendi hora para fazer coisa bastante perigosa, em locais insalubres, e hoje vejo que isso muito me ajudou, embora pudesse ter morrido. Negar ao vulnerável a oportunidade de vender seu trabalho torna a "adoção" do infeliz a única forma de auxílio, não? Ele só sairia dessa por caridade. É claro, ele está em situação de desvantagem para negociar. Mas alguém se pergunta, ao comprar ações na bolsa, as circunstâncias de quem esta vendendo com prejuízo? E, se o fizesse, e não comprasse, estaria o vendedor em melhor situação?