Espere, estamos analisando a moralidade, não a utilidade.
A moral não se define pela utilidade. Ao menos não pra mim. Tanto é que a descrição que eu apresentei é oposta ao utilitarismo.
As coisas sempre se perdem nesses debates.
Primeiro, o objeto do ato: vandalismo/depredação e apropriação de bens públicos.
Segundo, intenção do agente: diminuir a vigilância e a coerção.
Terceiro, circunstâncias: abuso estatal, benefício imediato aos moradores de rua, envolvimento de pessoas vulneráveis, ilegalidade da ação e risco de punições aos envolvidos.
Se ignoramos o objeto do ato, caímos no intencionalismo (o que vale é a intenção) ou consequencialismo (os fins justificam os meios);
se ignoramos a intenção e o objeto, caímos no legalismo (se é legal, é moral; se é ilegal, é imoral) ou no contextualismo (não têm atos intrinsecamente maus, depende do contexto);
se ignoramos as circunstâncias, caímos no rigorismo.
O primeiro já apresenta alguns problemas que são agravados pelo terceiro.
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Replies (1)
Nao acho que me perdi não.
Vc argumentou 2 problemas: o ato em si, que seria a depredação e a "exploração" do labor dos vulneráveis.
Quanto ao primeiro, argumentei que não entendo ser problemático pq é como destruir correntes de escravagistas. Que isto seja ilegal é irrelevante, pois moralidade e legalidade são 2 eixos cartesianos.
Quanto ao segundo, estou defendendo que a imoralidade encontra-se na situação em que a pessoa vive, e não em que seu labor seja livremente negociado. Eu já vendi hora para fazer coisa bastante perigosa, em locais insalubres, e hoje vejo que isso muito me ajudou, embora pudesse ter morrido.
Negar ao vulnerável a oportunidade de vender seu trabalho torna a "adoção" do infeliz a única forma de auxílio, não? Ele só sairia dessa por caridade.
É claro, ele está em situação de desvantagem para negociar. Mas alguém se pergunta, ao comprar ações na bolsa, as circunstâncias de quem esta vendendo com prejuízo? E, se o fizesse, e não comprasse, estaria o vendedor em melhor situação?