Por que o próprio agente não executa o ato? Claro, porque ele prefere perder o dinheiro do que correr o risco de perder muito mais. Mas qual é a alternativa para os mendigos? Continuar passando fome. Daí, o agente estaria aproveitando a vulnerabilidade dos mendigos para usá-los como meio, como instrumento, enquanto ele mesmo não sofreria as consequências. Então haveria uma assimetria de risco entre o agente e o executor: quem decide o ato terceiriza o perigo. Então são dois agravantes: Instrumentalização de pessoas vulneráveis e grave risco desproporcional. Consentimento não elimina nenhum dos dois. E mesmo sendo totalmente sentimental: se eu pagasse alguém pra fazer algo que eu sei que é arriscado - especialmente uma pessoa vulnerável - e ao fazê-lo, essa pessoa morre ou sofre algum trauma, eu me sentiria mal depois.

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"Instrumentalização de pessoas vulneráveis e grave risco desproporcional" Qual seria a diferença disso pra um outro trabalho de alto risco qualquer? Seguindo por esse pensamento, seria errado contratar pessoas em situações de rua para fazer um serviço pra minha pessoa como pintar um muro alto ou algum serviço elétrico?
Essa linha argumentativa da exploração eu acho equivocada. Os mendigos não estarão em melhor situação pela ausência de opção de executar uma atividade arriscada. As crianças vietnamitas não estarão em melhor situação pela ausência de opção de fabricar roupas. Obviamente, é indesejável que tais pessoas estejam nessa condição de vulnerabilidade, mas limitar o campo de ação delas não ajuda. Sobre preferir a perda financeira, subscrevo o argumento do Dusk.