Para avaliar a moralidade de uma ação, deve-se considerar três aspectos: o objeto do ato (o ato em si mesmo, o que é feito), a intenção do agente (o fim que busca atingir) e as circunstâncias (o contexto geral). Este último não transforma um ato intrinsecamente mau em bom ou bom em mau, mas pode aumentar ou diminuir a gravidade dele. Para ser moralmente bom, o ato deve ser bom nos três aspectos simultaneamente.

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Depredação de bens alheios não é lícito. Porém, admito que há discussão por ser um bem estatal pago com dinheiro público. O maior problema mesmo seria que, ao fazer isso, vc estaria instrumentalizando pessoas socialmente vulneráveis. Além disso, essas pessoas correriam sério risco de serem mortas.
No caso, não são bens alheios como seriam as ferramentas do seu vizinho, são instrumentos de coerção. Sobre o risco dos mendigos, esta é u.a ponderação que cabe a eles, não?
Por que o próprio agente não executa o ato? Claro, porque ele prefere perder o dinheiro do que correr o risco de perder muito mais. Mas qual é a alternativa para os mendigos? Continuar passando fome. Daí, o agente estaria aproveitando a vulnerabilidade dos mendigos para usá-los como meio, como instrumento, enquanto ele mesmo não sofreria as consequências. Então haveria uma assimetria de risco entre o agente e o executor: quem decide o ato terceiriza o perigo. Então são dois agravantes: Instrumentalização de pessoas vulneráveis e grave risco desproporcional. Consentimento não elimina nenhum dos dois. E mesmo sendo totalmente sentimental: se eu pagasse alguém pra fazer algo que eu sei que é arriscado - especialmente uma pessoa vulnerável - e ao fazê-lo, essa pessoa morre ou sofre algum trauma, eu me sentiria mal depois.
Essa linha argumentativa da exploração eu acho equivocada. Os mendigos não estarão em melhor situação pela ausência de opção de executar uma atividade arriscada. As crianças vietnamitas não estarão em melhor situação pela ausência de opção de fabricar roupas. Obviamente, é indesejável que tais pessoas estejam nessa condição de vulnerabilidade, mas limitar o campo de ação delas não ajuda. Sobre preferir a perda financeira, subscrevo o argumento do Dusk.