Dracula, Bran Stoker. Pode não ser o ápice da literatura, mas não se destacou à toa.
@Mimi
Havia muitas outras histórias de monstro, mas Stoker trouxe uma forma, temas e conflitos interessantes no contexto 'Late Victorian':
Forma:
* boa parte do texto são cartas e diários dos diferentes personagens. "Romance Epistolar", o leitor vai construindo a história por facetas parciais dela, não seguindo-a linearmente via um narrador omniciente ou pelo ponto de vista de um único personagem. Isso ajuda no suspense. (um fato que me interessou a ler)
Temas:
* no otimismo cienticista exagerado dos 1900, e.g., Hilbert e Kelvin afirmando que "logo entenderemos toda a mátemática e física" e com tendências atéias/agnósticas mecanicistas, Van Helsing é um médico-cientista cristão que precisa pescar em superstições e lendas informações sobre os vampiros que caça. Detalhes: holandês mas se espanta em alemão "Mein Gott". Alemanha tinha a melhor medicina na época, estudou lá? E era fiel a uma esposa inconsciente há anos. Isso o pinta como um expert científico e homem de fé... que aguenta o tranco. Uma crítica seria ele ser o cara que sabe tudo, atuando como 'Deus ex machina' pra mover a história.
* Drácula não é um vagante ou mendigo no submundo, ou um monstro chucrão. É um nobre, existe abertamente, sabe se portar na alta sociedade, contrasta nobreza e monstruosidade - o livro era pra sociedade vitoriana, ainda com muitos aristocratas. ( algo disso em Count Dooku - o mesmo ator, além de se chamar "Conde D.")
* Drácula não é um antepassado, nem se esconde localmente desde sempre. Stoker jogou com o orientalismo (muitas vezes besta) da era Vitoriana, trazendo o conde da europa do Leste: por um lado seus modos nobres são reconhecíveis, por outro lado, é distante, exótico, primitivo, feudal. (lembra Dr. Doom de Latveria, estado fictício vizinho da Transilvânia).
* Stoker compõs várias lendas, superstições, e historias semi-reais e reais no seu conceito de vampiro e no seu personagem. Vlad III já aparecera na literatura em histórias cruéis e exóticas. Pode-se criticar que a composição foi superficial, mas evocar tudo isso chamou mais a atenção que criar tudo do balaco.
* O amor dos casais de noivos é um motor da historia, e existe erotismo no harem de vampiras, mas Stoker era contra putaria explicita, que existia na época em autores mais... 'populares'.
* vários personagens, principalmente em torno do Dracula, mostram vários graus de loucura, outra camada de suspense e imprevisibilidade na historia.
Concluindo:
um aspecto chato é termos a imaginação carregada por tantas versões, atrapalha. O livro mantem bem o suspense, mas já sabemos demais. O final... bem, se entende porque algumas versões o mudaram.
PS: romenos diziam que IRL o castelo do Vlad III Draculea, o Empalador, foi quase todo destruido. Mas qdo turistas mostraram interesse, reconstruiram do zero. Se perguntar na lojinha se é de verdade, dizem "Drácula morou ali". Verdade. Mas não eram as mesmas pedras :-).

Vlad, o Empalador – Wikipédia, a enciclopédia livre
PS: Alguem na Marvel também acha que Doom lembra Dracula: "In the Ultimate Marvel universe, Victor Van Damme, a descendant of Vlad Tepes Dracula"
