"A diferença entre povo opressor e povo oprimido é apenas questão de ocasião, e a 'solidariedade com os oprimidos' é apenas o véu ideológico que busca embelezar e legitimar, de antemão, os massacres de amanhã. Esse reconforto 'ético' é, no fundo, uma fuga da consciência: todo povo oprimido esconde os lances vergonhosos de sua própria história, para poder acreditar-se melhor que os opressores. Não há um só movimento de libertação e de direitos que não se funde nessa mentira essencial, em que se afiam os espetos de futuros holocaustos. Durante um milênio faraós negros arrancaram sangue do lombo semita, para terminar sendo vendidos como escravos e hoje tentar comover o mundo com seu discurso contra os judeus comerciantes de escravos. Os alemães encontraram na humilhação coletiva a inspiração para perseguir os judeus, e a fumaça do holocausto ainda santifica o fuzil isralense a cada tiro que dispara sobre um palestino armado de pedras."
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Replies (8)
Vá em paz, querido. Não coleciono seguidores. Abraço.
não, senhor, não sou olavista (bem longe disso) nem sabia que o texto era do olavo (primeiro texto dele que leio em vinte anos, por sinal -- sim, já o li bastante, em especial os textos que ele publicava na cult, na bravo, e artigos sobre a metafísica de leibnitz e spinosa na virada dos 2000). pensei que fosse da butler :D sem ironias: meu princípio maior é sempre estar ao lado dos oprimidos, sempre. todavia: como a judith butler bem explicou em caminhos divergentes, dando o exemplo dos judeus (ela própria judia), pra fazer ponte com o exemplo das rads vs trans, os oprimidos de ontem (judeus, mulheres), caso não policiem suas ações, podem acabar emulando as posturas do opressor e se tornarem eles próprios opressores (sionistas, rads). foi a butler quem despertou essa consciência em mim quando eu ainda tinha 25, 27 anos, não o olavo. mas foi o que, lendo en passant, depois de cinquenta páginas de habermas, e já um tanto zonzo, depreendi do texto. a opressão é cíclica e alternam-se as partes, eterno retorno nietzscheano. não esquecer que, até 2016, o marco civil (última medida da dilma como presidente) era sagrado e a CPI dos crimes cibernéticos foi rotulado como tentativa de censura pela esquerda. bastaram dois anos.
aliás, falando em empatia, acabei de ler esse outro artigo, por acaso. achei válido pro debate:


Institute of Network Cultures | Engineering Empathy – A Conversation with Isaka on Transforming Noise into Understanding
não, não, aí que tá. não é colocar o oprimido como opressor ou vice-versa, mas ter a consciência de que eu enquanto oprimido (coisa que não sou ou deixei de ser a partir dos meus 15, 16 anos, e aqui não vou entrar no mérito) tenho pleno potencial de me tornar opressor caso a maré mude, como a butler apontou. eterna vigilância e revisão da conjuntura, o que nesses tempos líquidos hipermodernos pode mudar da noite pro dia. um macete que torna tudo bem mais fácil é prestar atenção no que o fórum econômico mundial diz e seguir o caminho oposto. tem funcionado desde os meus 13 anos, não erra nunca, rs. fora fhc, fora fmi haha
é o melhor lugar possível, rapaz.
Pô, colega, ainda tá aqui enchendo os pacová? Já disse: vá em paz. Não coleciono seguidores. Segue tua vida e com teu Index Librorum Prohibitorum pessoal. Gratiluz. ✌️
¯\_(ツ)_/¯
Silenciado com sucesso. 🤭
