Acordei.
Estação fria, com um amigo sob o sol.
Conspiramos: aquecer e esfriar.
Tempestades cercam as bordas da cidade de palha.
A era do lobo retorna em trevas.
Desejamos o nada... será atração?
Cada movimento visto...
Pesa forte... sobre meu corpo.
Pelas frestas...
Um olho... corta a batida da noite.
O que observa...
É o reflexo proibido... do meu vazio.
Quando ele pisca...
Conto o tempo... para o meu próximo segredo.
O fogo sopra, devorando o que resta.
Meu olhar se fragmenta — um adeus à vaidade que me assombra.
No sonho... o descanso é morte.
Meu reino é com deus... mas já não recordo qual deles.
A floresta está em total desarmonia
A incerteza nos fala alto e claro.
Vêm nuvens escuras, uma velha bruxa nos avisou... nós, bruxas, sabemos tudo sobre nuvens escuras.
As bruxas do norte estão preparadas — sabem da ameaça de mergulhar num abismo de anarquia agressiva e na perda dos valores tradicionais.
Quase sozinha,
sempre quase sozinha.
Presa ao ciclo da solidão.
Enquanto ele pesca, a bruxa dorme.
Tudo, no eterno ir e vir...
Ilusões, jogos, companheiros de viagem.
A sanidade é o abismo gelado
E o resto é cafeína.
Meu amor, permaneça para sempre — minha cabeça está emaranhada e acelerada... a noite e o vento começam a gelar. Sobram apenas o sexo, a malícia e a loucura...
Ontem, recordei minha infância e o galo Rodolfo — um verdadeiro demônio. Ele brigava com todos, especialmente comigo... se eu lhe oferecia um graveto, ele se lançava sobre ele, se agarrando com a fúria cega de um cachorro louco. Após cada surto, ele se posicionava diante das portas da cozinha, gritando em um frenesi insaciável até que fosse alimentado. Aquilo que eu interpretava como coragem, era apenas a audácia de um galináceo esperto que sabe que seu espetáculo é divertido e que vai receber o preço pelo seu show. Ah, as ilusões! É nelas que todos se perdem no abismo...
Hoje, comi mousse de chocolate, no café da manhã, e fiquei satisfeita com ele. Olhei para o meu jardim e fiquei satisfeita com ele. Caminhei na praia gelada, com um sol fraco, e fiquei satisfeita com isso.
E se o mundo inteiro se tornou perverso,
A única razão para isso foi
O próprio homem: ele é a única fonte de problemas,
Ele é o único que cria as suas próprias desgraças.
"A Divina Comédia"
Dante Alighieri
Ah! Os deuses sabem chorar através das nuvens
e é bom se tiver calor.
Ninguém vende o que ama.
Verônica brilha sempre
como um amor que se cobre
— por que nela não dói?