Vejo algumas pessoas dizendo que não dar pra viver de bola família. Mas estão em uma outra realidade.
Se você prestar atenção, em cidades do interior, o custo de vida e bem menor, alimentação é bem mais barata, não se gasta muito com transporte, já que quase tudo é perto e sem trânsito, fora que muita coisa hoje você pode comprar pela internet.
Quem recebe esse auxílio geralmente tem desconto na água, na energia, as vezes tem até o gás.
Trabalhar de CLT, 8 horas por dia parece uma eternidade pra essa galera.
E geralmente nessas cidades tem muita produtividade rural e muita carência de mão de obra, já que boa parte dessa galera está sob a proteção do bondoso estado.
O que acontece é que em determinadas épocas do ano, o produtor precisa pagar um valor atrativo pra conseguir alguns trabalhadores temporários, e para pagar mais, ele precisa reduzir encargos.
E como pessoas do bolsa família geralmente não querem carteira assinada, alia se o útil ao agradável.
Complementando a renda do boneca família com trabalhos temporários, que pagam além do que pagavam antes.
Isso cria uma economia local bastante distinta.
Só que o problema começa a ficar grande, quando o produtor malvadão começa substituir mão de obra cara e muitas vezes sem qualificação, por maquinários.
Aí cada dia mais terá mais pessoas dependente do bolsa família. E aqueles pequenos trabalhos que não exigiam qualificação e pagavam bem, estará cada vez mais raro.
Na prática, o Bolsa Família funciona como um piso de sobrevivência, não como renda total.
Em cidades pequenas, ausência de aluguel alto
Resultado: R$ 600–900 mensais viram renda âncora, não renda final.
Isso muda completamente a psicologia do trabalho:
O indivíduo não está “procurando emprego”
Ele está selecionando bicos que maximizem ganho marginal
O produtor rural e o custo real da CLT
Aqui entra um ponto estrutural, não ideológico:
Encargos trabalhistas no #Brasil podem elevar o custo do trabalhador em 70% a 100%.
Para trabalho sazonal, isso é economicamente irracional
Então surge o pacto tácito:
Trabalhador não quer carteira (perde benefício).
Produtor não quer encargo
Estado finge não ver
Esse pacto reduz o custo unitário do trabalho por um período, mas eleva o custo sistêmico no longo prazo.
Onde o sistema começa a falhar
- O gatilho: escassez + imprevisibilidade.
- Quando A oferta de mão de obra flutua demais.
- O produtor precisa pagar muito acima da média em picos sazonais.
- Não há garantia de retorno no próximo ciclo.
A decisão racional é:
“Se vou pagar caro, que seja uma vez só.”
Ou seja: máquina no lugar de gente.
Automação não substitui “gente”, substitui “instabilidade”
Isso é crucial.
O produtor não troca pessoas por máquinas porque odeia pessoas. Ele troca porque:
Máquina não falta, máquina não negocia, máquina não depende de política pública, máquina tem custo previsível.
Mesmo máquinas caras se pagam quando o trabalho é repetitivo, a janela de produção é curta, a mão de obra é volátil
Os primeiros trabalhos a desaparecer são:
- Capina
- Colheita manual simples
- Carga/descarga
- Serviços braçais repetitivos
Esses eram justamente os melhores bicos, curta duração, pagamento acima da média local, nenhuma exigência técnica. Quando eles somem:
Não sobra “meio termo”
Ou é trabalho qualificado
Ou é assistência permanente
Armadilha da renda mínima
O Bolsa Família, isoladamente, não cria a armadilha.
Ela surge quando três coisas coincidem:
- Baixa exigência de qualificação no mercado local
- Desaparecimento dos trabalhos intermediários
- Benefício indexado à informalidade (perda ao formalizar).
A partir daí:
O benefício deixa de ser ponte
Vira estado estacionário
Consequência:
- Economia local “travada”
- Baixa mobilidade social
- Comércio depende diretamente da transferência de renda.
Isso já ocorre em vários municípios pequenos.
Resultado.
- Esvaziamento econômico
- Dependência ainda maior do Estado
- Aumento de informalidade residual e precarizada
- Jovens migrando, idosos ficando
Não é proibido parentes de juízes do supremo advogar. Mas é proibidos parentes de pessoas que trabalham no SBT participar de sorteio da Telesena.
Uma leitura realista do poder, muito mais próxima da ciência política histórica do que das narrativas populares de “queda do Estado”. Isso se aplica a países como #Brasil , #Venezuela , Irã , Rússia etc...
1. Estados quase não caem; elites caem o tempo todo
O Estado é uma estrutura abstrata e resiliente:
território,
burocracia,
aparato coercitivo,
linguagem jurídica,
rotinas administrativas.
Quem cai são:
coalizões,
dinastias políticas,
regimes,
pactos de poder.
Roma “caiu” várias vezes sem nunca desaparecer de fato.
A França trocou de regime múltiplas vezes sem deixar de ser Estado.
A Rússia mudou de ideologia, não de ossatura.
2. A seleção negativa das elites é um padrão, não uma exceção.
“Às vezes são substituídas por figuras piores.”
Isso não é acidente. É mecanismo.
Quando um sistema entra em degradação:
elites competentes perdem margem de manobra,
decisões racionais se tornam impopulares,
discursos simples e radicais ganham tração.
O sistema passa a selecionar por lealdade e agressividade, não por competência.
Resultado:
pior gestão,
mais extração,
mais repressão,
menos capacidade de correção.
Isso acelera a decadência sem derrubar o Estado.
3. Ruína não é colapso: é empobrecimento prolongado
Estados raramente entram em “ruína” como evento único.
O que ocorre é:
perda gradual de capacidade administrativa,
infraestrutura degradada,
serviços funcionando no limite,
informalidade como regra tácita.
O Estado continua existindo, mas governa menos e cobra mais.
Isso é compatível com:
décadas de estagnação,
alta violência,
elites enriquecendo apesar do colapso social.
4. Forças internas quase nunca derrubam o sistema sozinhas.
Forças internas:
protestos,
greves,
oposição política,
crise econômica,
raramente derrubam o núcleo do poder sem um catalisador externo.
O motivo é simples:
o Estado conhece melhor seu território,
controla a narrativa interna,
divide e coage opositores.
Revoluções “puras” são raras e, quando acontecem, costumam:
reaproveitar a burocracia,
manter o aparato coercitivo,
trocar apenas o topo.
5. O papel decisivo das forças externas.
Mudanças estruturais profundas quase sempre envolvem:
guerra,
sanções severas,
colapso comercial,
perda de apoio geopolítico,
choque tecnológico externo.
Não porque o externo seja “mais forte” em termos morais,
mas porque quebra equilíbrios internos que eram estáveis.
O poder cai quando:
as elites internas deixam de acreditar que o sistema as protege.
Sem isso, elas resistem até o fim — mesmo contra a própria população.
6. O erro comum: confundir sofrimento social com fragilidade do poder.
Estados podem:
empobrecer a população drasticamente,
destruir a classe média,
conviver com violência crônica,
e ainda assim manter o poder central intacto.
Sofrimento popular não é variável decisiva para mudança de regime. Lealdade das forças armadas e controle institucional são.
7. Onde a mudança realmente começa (quando começa).
Mudanças reais surgem quando três fraturas coincidem:
Fratura elite–elite
disputa interna irreconciliável.
Fratura coercitiva
forças armadas ou policiais deixam de agir de forma unificada.
Fratura externa
pressão ou oportunidade fora do sistema.
Sem as três, o máximo que ocorre é:
troca de nomes,
discursos novos,
mesmas estruturas.
Conclusão direta.
Estados são resilientes demais para cair facilmente.
Pessoas no poder são descartáveis.
A decadência tende a selecionar líderes piores, não melhores.
Mudanças profundas quase sempre exigem choques externos.
O ponto mais incômodo é este:
Sistemas raramente mudam quando estão ruins para o povo;
mudam quando deixam de funcionar para quem manda.
O que me espanta não é o banco fraudulento ter apoio político do governo e apoio jurídico do mais alto escalão de juízes. O que me espanta é o banco central não fazer parte disso, parece que ainda existe esperança... #Brasil #Brazil
Parece até que estava escrevendo o #Brasil.
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Qual deve ser a interesse agora? Preciso ficar por dentro dessa manobra...
A piada já vem pronta
Qual o papel do TCU em relação ao banco central?
O TCU não é um “super-árbitro” do sistema financeiro. Ele não manda no Banco Central nem substitui o Judiciário. O que ele faz é vigiar o uso do dinheiro público e a legalidade dos atos administrativos. Isso muda completamente o tipo de poder que ele tem sobre uma liquidação bancária.
Quando o Banco Central liquida um banco privado por insolvência, ele age com base em leis específicas do Sistema Financeiro Nacional (Lei 6.024/74, Lei 13.506/17, entre outras). É um ato técnico-regulatório: análise de patrimônio, liquidez, risco sistêmico, descumprimento prudencial, etc.
O BC não “opina”, ele exerce poder de polícia administrativa.
O TCU não pode:
Anular diretamente a liquidação de um banco.
Substituir o juízo técnico do Banco Central sobre solvência, risco sistêmico ou viabilidade financeira.
Determinar que o BC “reabra” um banco.
Atuar como instância recursal das decisões regulatórias do BC.
Interferir na política monetária ou na regulação prudencial em si.
Essas barreiras existem porque o Banco Central tem autonomia funcional justamente para não ser capturado por pressões políticas ou administrativas. Se o TCU pudesse dizer “esse banco não deveria ter sido liquidado”, o sistema inteiro viraria refém de disputas burocráticas.
O que o TCU pode fazer é mais sutil — e mais perigoso quando mal compreendido.
Ele pode:
- Auditar se o Banco Central seguiu a lei no processo.
Verificar se houve desvio de finalidade, negligência, omissão ou erro grosseiro.
- Investigar se agentes públicos agiram com dolo, favorecimento indevido ou violação de dever funcional.
- Examinar impactos sobre recursos públicos: por exemplo, uso do Fundo Garantidor de Créditos, socorros financeiros, garantias estatais, operações de redesconto, indenizações.
- Aplicar sanções administrativas a gestores públicos (multas, inabilitação, recomendações formais).
Determinar correções procedimentais futuras.
Repare no detalhe: o TCU não julga o banco.
Ele julga o comportamento do Estado.
Na prática, isso cria três cenários possíveis:
- Melhor cenário:
O BC agiu corretamente. O TCU audita, valida os procedimentos, talvez sugira melhorias técnicas. Nada muda no destino do banco.
- Cenário mais provável:
O BC acertou na liquidação, mas errou em algum detalhe formal: prazos, comunicação, documentação, governança interna. O TCU aponta falhas, recomenda ajustes, eventualmente multa gestores — mas a liquidação continua válida.
- Cenário extremo:
O TCU encontra indícios fortes de ilegalidade grave: fraude, favorecimento, abuso de poder, sabotagem regulatória. Mesmo assim, ele não “revoga” a liquidação. O que ocorre é:
Envio do caso ao Ministério Público.
Judicialização.
Um juiz pode suspender atos, determinar perícias, ou até anular o processo administrativo se houver vício insanável.
Ou seja: o TCU é um sensor de integridade do Estado, não um piloto do sistema financeiro.
A arquitetura institucional brasileira separa funções por um motivo quase biológico: sistemas complexos entram em colapso quando o mesmo órgão regula, executa, julga e corrige.
O Banco Central protege a estabilidade financeira. O TCU protege a legalidade do Estado.
Eles orbitam o mesmo fenômeno, mas em planos diferentes.
Quando essas órbitas colidem, não nasce justiça automática. Nasce litígio. E litígio em sistema financeiro é sempre um risco sistêmico disfarçado de zelo institucional.