O romance do Norte do Brasil precisa ser redescoberto. Talvez só Josué Montello ainda tenha maior fama fora do seu estado natal, mas sua literatura, ainda que universalmente humana, é pouco “nortista”, é muito própria da vida de mar aberto de São Luís e Alcântara, com mentalidade litorânea. Norte mesmo, no sentido amazônico até miudamente metafísico, é o que se encontra em Dalcídio Jurandir, o Montello do Pará, com seu Ciclo do Norte e seus pontos altos em “Chove nos campos de Cachoeira” e “Marajó”. Que prosa a dele. Difícil encontrar outro autor que registre de forma tão viva e rica a fala do brasileiro.
Mais sertanejo já será o Assis Brasil da “Tetralogia Piauiense” (não confundir, portanto, com o Assis gaúcho), que de todo modo ainda tem algo daquele Brasil amazônico. Aleatoriamente também me ocorre citar, sem considerar títulos menores, “Galvez, Imperador do Acre”, de Márcio Souza, saga pícara boa.
Ronald Robson
ronald@primal.net
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Writer. Radically Brazilian. | Autor de "Contra a vida intelectual, ou iniciação à cultura" (2024) e "Conhecimento por presença: em torno da filosofia de Olavo de Carvalho" (2020). | Criador de flusserproject.com
Better than Wu-Tang Clan
Quando o tradutor vai verter uma obra húngara, e diz que o faz a partir da versão inglesa realizada pelo próprio autor, mas misteriosamente emprega a tradução espanhola de um termo que jamais apareceria assim nem em húngaro nem em inglês nem em português. E estou achando que mesmo a tradução espanhola foi vertida pelo Google (ainda era o ano da graça de 2015 e robôs não pensavam por nós).
Serviu de lembrete de que por que passei tantos anos sem triscar em volume algum da ed. Expressão Popular.


There’s not a single idea in Palantir’s Manifesto that isn’t already hinted at — or fully developed, sometimes to the point of absurdity (though occasionally with real insight) — in Alex Karp’s “The Technological Republic”. It’s a book worth reading. I wrote this piece on it, and reposting it is enough to share my take on the whole “technofascist manifesto” issue.
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Sonhei que Antonio Telmo era, sim, um Encoberto, como ele gostava de dizer, mas não por ser marrano, não por ser maçom. Na verdade ele era um brasileiro disfarçado de português. Era o Encoberto da filosofia escrita na língua de Vieira.
“The identified Iliad text in the recent dig belongs to the catalogue of ships in Book II of the epic poem (…). It contains a famous passage listing the Greek forces massing before Troy.”


The Independent
Archaeologists find copy of Homer’s Iliad inside ancient Egyptian mummy
Papyrus fragment discovered inside mummy buried in Roman-era tomb around 1,600 years ago
Das muitas ironias discretas da série Pluribus, talvez a menos óbvia, porém mais surpreendente, é que seja justamente um paraguaio, um homem que ainda acredita em anjos e demônios e age segundo uma ingenuidade prática e rigorosamente ética (mesmo quando agressiva), que irá empreender uma viagem de milhares de quilômetros do seu país até os Estados Unidos, ora a pé ora de carro, para salvar a humanidade da última grande utopia, a qual nos é mostrada como coisa que literalmente não é deste mundo e nos infecta como um vírus. A narrativa não pesa a mão nesse sentido alegórico; detém-se em episódios específicos e os desenvolve até os limites do absurdo, procedimento já conhecido do criador da série. De modo que o arco narrativo maior, com sua ironia mitigada, está lá, sim, mas não cobra atenção.
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Sempre que uma cultura começa a ruir, é de suas franjas, de seus territórios limítrofes e desprestigiados, que nascem as possibilidades de uma nova civilização, em parte porque quem está à margem é menos “contemporâneo”, sofre menos do esquecimento de suas origens do que quem está no centro, na metrópole, a viver segundo o espírito da época.
Sem a “Fenomenologia do Espírito” de Hegel, não existiria a “Lógica da Filosofia” de Éric Weil. Foi aquele primeiro, como o filósofo francês deixaria claro nas partes finais de seu livro, quem tornou possível uma “lógica da filosofia”, uma apreciação das categorias fundamentais pelas quais o discurso filosófico se organiza internamente e se materializa exteriormente na consciência humana e em seus modos de vida (suas “atitudes”, no vocabulário de Weil).
A categoria do Absoluto estende sua sombra sobre os capítulos finais da obra-prima do filósofo francês que agora, em abril, terminaremos de ler e comentar na “Iniciação à Filosofia com Éric Weil”. Chegaremos à 24ª aula, feito heroico daqueles que perseveraram comigo. Até agora tivemos as seguintes aulas:
• Aula 1: A negatividade da filosofia; e sua superação
• Aula 2: Como nasce a filosofia (indivíduo e comunidade, razão e violência)
• Aula 3: O dever do gênio (Kant, Otto Weininger, Weil)
• Aula 4: A lógica da filosofia (atitudes, categorias, existência histórica)
• Aula 5: O domínio da verdade
• Aula 6: A obscuridade das experiências autênticas; e o discipulado filosófico
• Aula 7: O fracasso da unidade (rumo à noção de prova)
• Aula 8: Do discurso à discussão (tradição e lógica formal; e três usos exemplares da dialética)
• Aula 9: A insuficiência da formalidade racional; o mundo objetivado
• Aula 10: As intimações da interioridade
• Aula 11: A mentalidade religiosa: eu humano e Eu transcendente puro
• Aula 12: O mundo do trabalho; e a indiferença científica
• Aula 13: Poesia, cume da experiência consciente
• Aula 14: A contemplação da história (exemplos: Weber, Girard)
• Aula 15: A emergência dos valores perante a Personalidade
• Aula 16: Vislumbres do Absoluto através da Personalidade; a poesia, ainda
• Aula 17: O Absoluto; a estrutura hegeliana de "Lógica da Filosofia"
• Aula 18: Considerações gerais sobre as obras de Hegel e de Weil
• Aula 19: O ser, o nada e o vir-a-ser. E a Obra: “escândalo da razão”
• Aula 20: A Finitude e o existencialismo
Você pode ter acesso a essas gravações e às últimas quatro aulas ao vivo por R$ 450 (pix, boleto ou cartão em até 18x, conforme a sua bandeira; e também bitcoin, basta falar comigo). Após o pagamento, em até 12h entrarei em contato para lhe dar acesso às aulas.
Inscrição através do link:
https://pag.ae/81FvGrsnG
Para mais informações:
A aula 21 será hoje (quinta-feira, dia 9), às 20h.

Iniciação à Filosofia com Éric Weil – A Fantasia Exata

O pensamento português, segundo Antonio Telmo em “Filosofia e Kabbalah” (1989)


“Crítica da Razão Pura” (wtf)


De quando Carl Jung nadou até o Santo Graal.
Como um politeísta escolhe seus deuses hoje – A Fantasia Exata
Quando jovem, São Maximiliano Kolbe concebeu um “etereoplano”.


Este livro é phoda


In Brazil, we call this book “Botar o Pânico”, “Tocar o Terror”, or “Menino Chora e Mãe Não Vê” because as people born in the Tropics our dialectical minds are almost genetically equipped to cope with it.


Chamei de "pensamento alegórico" um dos temas mais importantes a que me dediquei nos últimos anos. Ele nos permite perceber a continuidade entre as últimas etapas do pensamento helenista e o início da modernidade, sem cair nas facilidades das narrativas de ruptura que abundam na literatura histórica e filosófica sobre os últimos séculos.
Nascido de um excesso — e não de uma carência — de simbolismo, o pensamento alegórico está na base dos mais diversos modos de afastamento da experiência direta da realidade e da despersonalização dessa experiência.
Ele se manifestará seja através de esoterismos pelos quais a substancialidade das coisas se dissolve em supostos sentidos secretos e mais elevados, seja através de ideologias que restringem nossa cognição por meio de analogias cada vez mais limitativas (tudo remeterá ao "capital", p. ex., ou ao "marxismo cultural"), seja através da experiência de avatar que caracteriza grande parte de nossa vivência online e offline no século XXI.
O pensamento alegórico sempre dependerá da tradução de uma determinada rede de significados para outra rede cujos nexos de analogia com a primeira são arbitrários.
As aulas em que discuto o tema ainda estão disponíveis:
Também tratei do assunto, com um exemplo bastante didático, neste texto, que aliás vai dar nas origens do pensamento alegórico:

A Fantasia Exata
A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador
“A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador” consiste em uma investigação histórica e filosófica sobre as origens da modernid...
A caverna de Ítaca, segundo Porfírio, intérprete de Homero – A Fantasia Exata
Acabo de ver em um filme asiático marromeno:
- Guerra que se passa nas estrelas? Star Wars. Guerra que se passa no inverno? Guerra Fria. Guerra que não acaba nunca? Guerra da Coreia.
De Heidegger a Olavo de Carvalho:

Por baixo da fala, por trás do mundo – A Fantasia Exata
