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Β«Honk, honk!Β» β€” Harpo Marx ᡐᡃⁱ˒ ᡘᡐ α΅’α΅‡Λ’αΆœα΅˜Κ³α΅’ ⁿᡒ˒ᡗʳⁱⁿʰᡒ ᡇᡃⁱˣᡃ Κ³α΅‰βΏα΅ˆα΅ƒ ᡉ α΅ˆα΅‰Λ’α΅ˆα΅‰βΏα΅—α΅ƒα΅ˆα΅’ ☠︎︎ α΅α΅‰α΅ƒΚ³αΆœΛ’α΅—α΅ƒα΅–α΅ƒ ☠︎︎ I'm not on Bluesky / NΓ£o tenho conta no Bluesky ᡇᡉʷᡃʳᡉ α΅’αΆ  Λ’αΆœα΅ƒα΅α΅α΅‰Κ³Λ’ / αΆœα΅˜β±α΅ˆα΅ƒα΅ˆα΅’ αΆœα΅’α΅ ᡍᡒˑᡖⁱ˒ᡗᡃ˒
Harold Bloom, The western canon: the books and school of the ages, p. 29-30: To read in the service of any ideology is not, in my judgment, to read at all. The reception of aesthetic power enables us to learn how to talk to ourselves and how to endure ourselves. The true use of Shakespeare or of Cervantes, of Homer or of Dante, of Chaucer or of Rabelais, is to augment one's own growing inner self. Reading deeply in the Canon will not make one a better or a worse person, a more useful or more harmful citizen. The mind's dialogue with itself is not primarily a social reality.
Clarice Lispector, Das vantagens de ser bobo: β€” O bobo, por nΓ£o se ocupar com ambiΓ§Γ΅es, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo. β€” O bobo Γ© capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que nΓ£o faz alguma coisa, responde: β€œEstou fazendo. Estou pensando.” β€” Ser bobo Γ s vezes oferece um mundo de saΓ­da porque os espertos sΓ³ se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem Γ  ideia. β€” O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos nΓ£o veem. β€” Os espertos estΓ£o sempre tΓ£o atentos Γ s espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. β€” O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver. β€” O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes o bobo Γ© um DostoiΓ©vski. β€” HΓ‘ desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar-refrigerado de segunda mΓ£o: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a GΓ‘vea onde Γ© fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vΓͺ-lo sequer. Resultado: nΓ£o funciona. Chamado um tΓ©cnico, a opiniΓ£o deste era a de que o aparelho estava tΓ£o estragado que o conserto seria carΓ­ssimo: mais valia comprar outro. β€” Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo Γ© ter boa-fΓ©, nΓ£o desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto nΓ£o dorme Γ  noite com medo de ser ludibriado. β€” O esperto vence com ΓΊlcera no estΓ΄mago. O bobo nem nota que venceu. β€” Aviso: nΓ£o confundir bobos com burros. β€” Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. Γ‰ uma das tristezas que o bobo nΓ£o prevΓͺ. CΓ©sar terminou dizendo a frase cΓ©lebre: β€œAtΓ© tu, Brutus?” β€” Bobo nΓ£o reclama. Em compensaΓ§Γ£o, como exclama! β€” Os bobos, com suas palhaΓ§adas, devem estar todos no cΓ©u. β€” Se Cristo tivesse sido esperto nΓ£o teria morrido na cruz. β€” O bobo Γ© sempre tΓ£o simpΓ‘tico que hΓ‘ espertos que se fazem passar por bobos. β€” Ser bobo Γ© uma criatividade e, como toda criaΓ§Γ£o, Γ© difΓ­cil. Por isso Γ© que os espertos nΓ£o conseguem passar por bobos. β€” Os espertos ganham dos outros. Em compensaΓ§Γ£o os bobos ganham vida. β€” Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguΓ©m desconfie. AliΓ‘s nΓ£o se importam que saibam que eles sabem. β€” HΓ‘ lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (nΓ£o confundir bobo com burro, com tolo, com fΓΊtil). Minas Gerais, por exemplo, facilita o ser bobo. Ah, quantos perdem por nΓ£o nascer em Minas! β€” Bobo Γ© Chagall, que pΓ΅e vaca no espaΓ§o, voando por cima das casas. β€” Γ‰ quase impossΓ­vel evitar o excesso de amor que um bobo provoca. Γ‰ que sΓ³ o bobo Γ© capaz de excesso de amor. E sΓ³ o amor faz o bobo.
John Piper, Christian, you never suffer alone: When suffering asks, β€œWhere is your God?” God answers, β€œI am here.” His presence doesn’t always remove suffering. But he promises to meet us in it.
Manuel Alegre, Blackbird ou O quarto poema do caΓ§ador: Um pΓ‘ssaro negro voava voava no meio do branco nΓ£o sei se sombra ou palavra ou verso na pΓ‘gina em branco. Sei que era negro e voava voava no meio do branco.
Carlos Pena Filho, Primeiro poema no vazio: Buscava tudo o que havia de nunca mais encontrar em sua face macia em seu leve caminhar, nas rotas claras do dia nos verdes sulcos do mar, e de tudo quanto havia de nunca mais encontrar restou a forma vazia suspensa no seu olhar e a tΓͺnue melancolia de quem nΓ£o se soube achar nas rotas claras do dia, nos verdes sulcos do mar.
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