Hoje, numa noite estranha,...
sento e fumo no escuro.
Olho para a praia sem cor
e falo o mais baixo possível:
quero voar, de verdade, mais alto que a loucura
mais alto que as estrelas e acima da dor,
mas algo me segura, será a primavera?
sombras e vozes gritam: está sem asas.
E o peso da culpa — não, gravidade,
uma força sombria...
Quase esqueci: só é verdadeira a luz no rosto
de que quem se afastou com uma careta.
Criamos mundos onde a realidade foge,
Nos entregamos à ilusão que nos acorda.
Somos prisioneiras da nossa mente louca,
Onde a razão saiu e não mais voltou.
Seus olhos dourados me consomem
Como se corresse em direção à perdição
Me olha
Um anjo negro de face serena
Um brilho intenso
Um encanto imenso
Que me prende
Me leva
Me faz esquecer