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The Narrator 9 months ago
**O capital não faz militância — faz as malas** *Artigo de Fernão Lara Mesquita publicado em 18/07/2025 no Vespeiro* Em reação fulminante à instabilidade política e às tensões com os EUA, investidores estrangeiros sacaram R$ 4,8 bilhões da Bolsa brasileira em apenas seis dias úteis, revertendo todo o otimismo de julho. A fuga ocorreu logo após o anúncio das tarifas americanas e refletiu um recado claro: discurso ideológico e insegurança institucional custam caro. Enquanto Brasília briga com o espelho e flerta com o autoritarismo, o dinheiro – sem pátria nem paciência – já está do lado de fora batendo a porta. Fonte:
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The Narrator 9 months ago
**Tornozeleira em Bolsonaro: a arrogante e mesquinha tirania do consórcio Lula-STF** *Artigo de J. R. Guzzo publicado em 19/07/2025 na Gazeta do Povo* Não dá mais para chamar o regime ora vigente no Brasil de outra coisa que não seja ditadura. É uma ditadura alternativa. Não tem general na Presidência da República. É exercida num sistema de sociedade por cotas – metade é do presidente e suas gangues partidárias; a outra parte é do STF. Tem polícia política, é claro, porque, sem bala, camburão, cárcere e tornozeleira, não há ditadura. Sua grande originalidade é que não pretende mandar em tudo. Só manda – e aí manda 100% – naquilo que considera essencial. Obviamente, é o consórcio que faz as leis. Quer dizer: faz qualquer coisa, ou faz tudo o que quer, e diz que isso é legal, porque são eles mesmos, os sócios, que decidem o que é lei e o que é fora da lei no Brasil. Não há ninguém acima deles; ninguém pode mudar nada do que decidem. O consórcio Lula-STF faz leis sobre uso de linguagem neutra nas escolas, IOF ou terras para índios. Aplica (e, sobretudo, perdoa) multas. Proíbe a construção de estradas de ferro. Conta os votos e diz quem ganhou a eleição. É uma maravilha, pensando bem, em matéria de desfrutar os bônus de ter uma ditadura e não se aborrecer com os seus ônus. Não requer prática nem habilidade: qualquer semianalfabeto, como é o caso de Lula, ou repetente duas vezes no concurso para juiz de direito, como o ministro Toffoli, pode ser ditador nesse esquema. Você faz só o que lhe interessa; não precisa fazer o resto do serviço. Censura das redes interessa? Então eles fazem censura nas redes sociais. Prender pessoas indefesas interessa? Então eles socam 14 anos de cadeia na moça do batom. No setor “prisões”, o que mais fascina a ala carcerária do regime Lula-STF – e especialmente o ministro Alexandre de Moraes – é que acabam de dar uma das exibições mais arrogantes de tirania que já deram até hoje: intencional, selvagem e mesquinha. Sem nenhum motivo coerente, a não ser a satisfação de desejos de se vingar e de humilhar os vencidos, Moraes colocou tornozeleira no ex-presidente Bolsonaro, bloqueou suas comunicações e o proibiu de falar com o filho. É um dos momentos mais abjetos da história do STF – escurecido por manifestações de alegria explícita, de parte dos ministros, do governo e da mídia, com mais uma apoteose de crueldade na punição de Jair Bolsonaro. Há intensa satisfação, de todos eles, em mostrar que o réu já está condenado antes de receber a sentença. Era comum, nas prisões americanas, que os guardas encarregados de conduzir até a cadeira elétrica os condenados à morte anunciassem em voz alta, ao passar pelos corredores: “Dead man walking”. O costume foi suspenso por excesso de crueldade. Aqui, com a tornozeleira, entrou em sua fase de ouro. Fonte:
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The Narrator 9 months ago
**Coisa de Coreia do Norte!** *Artigo de Rodrigo Constantino publicado na Gazeta do Povo em 18/07/2025* Não restava dúvidas de que Alexandre de Moraes dobraria a aposta. Ele não tem mais alternativa, pois investiu demais na perseguição a Jair Bolsonaro e sabe que o preço de um acordo para pacificar o país é justamente a sua cabeça. Por isso ele resolveu adotar medidas cautelares que, na prática, transformam Bolsonaro num preso político, num refém sequestrado. Para tanto, Moraes peitou Donald Trump de forma insana, chegando a chama-lo de inimigo. É uma declaração de guerra. André Marsiglia resumiu bem: "Moraes fala, em sua decisão, em 'inimigos internos e externos'. Não fala de réu ou de leis. Moraes sai da cadeira de juiz e fala em nome do governo. É uma declaração grave de guerra". Qualquer um que finja existir normalidade institucional e foque em “eleições de 2026” nesse momento é ou muito alienado ou um baita oportunista! Está claro que estamos lidando com uma situação bem mais delicada, que torna a própria eleição uma incógnita. O Brasil já virou a Venezuela! Resta saber se Trump, com a ajuda do povo brasileiro, consegue reverter a situação. Bolsonaro é neste momento, repito, um preso político. Não há como falar em eleições de 2026 nesse contexto. Só lembrando: a Venezuela também teve que arrumar outro candidato, já que Corina Machado estava inelegível, assim como Capriles. Edmundo González venceu Maduro, mas não levou. Isso já é o Brasil de 2026. Portanto, a todos os políticos que só pensam em estratégia eleitoral, vai um alerta: acordem! O cerco que se fechou contra Bolsonaro é típico de tiranias totalitárias. Os bandidos perseguem os mocinhos, e não conseguem mais esconder sua essência maligna, seu duplo padrão. Nikolas Ferreira lembrou bem: "Lula foi condenado em três instâncias e posteriormente preso. Nunca o vi proibido de falar com alguém, usando tornozeleira ou sem ter acesso às redes sociais. Ele ainda chegou a conceder entrevista de dentro da prisão. Na democracia relativa as coisas são bem diferentes". Bolsonaro, falando à Reuters, disse que sabe que será preso, provavelmente em agosto, e que Moraes manda no país. O ex-presidente disse estar num cadafalso, e na hora que o ministro quiser ele chuta o banquinho. Bolsonaro alertou que o querem morto. E já tentaram matá-lo antes, não custa lembrar. Tudo isso representa uma escalada assustadora no avanço da tirania brasileira. A retaliação por parte de Trump virá. Todos que relativizam o que ocorre são cúmplices, colaboracionistas de um regime de exceção. Guardar seus nomes e as provas de sua adesão é importante para o futuro, se essa ditadura for derrotada. Perguntado pela Reuters qual a pior parte das medidas de Moraes, Bolsonaro não titubeou e disse: a proibição de falar com seu filho. Proibir de falar com o filho: isso é psicopatia nível Kim Jong-Un, padrão Coreia do Norte. A dúvida era quando o Brasil seria uma nova Venezuela. Pelo visto, pulamos etapas! Fonte:
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The Narrator 9 months ago
**EUA miram a juristocracia brasileira: o STF e o crepúsculo da justiça** *Artigo de Flávio Gordon publicado em 17/07/2025 na Gazeta do Povo* “O homem que comete injustiça é mais infeliz que aquele que a sofre” (Platão, Górgias) No ano de 1999, o penúltimo do século XX, Olavo de Carvalho manifestou o temor de que, se o século que se encerrava começara pedindo ditaduras e terminara clamando por democracia, o século seguinte fizesse o caminho inverso, demandando democracias e parindo ditaduras. Dito e feito. O “Século do Judiciário” – como foi caracterizado por mais de um tirano no Brasil – é o século da democracia meramente formal e cenográfica, da qual o povo passa a léguas de distância. Olavo inspirava-se em uma célebre frase do escritor Georges Bernanos, segundo quem “a democracia não é o oposto da ditadura: é a causa dela”. E ambos, Bernanos e Olavo, decerto se inspiraram em Platão, que disse em A República (564b): “A democracia, ao conceder liberdade a todos, cria as condições para que um homem, ou um pequeno grupo, se apodere do poder e o exerça de forma tirânica”. Com essa advertência, Platão pretendia mostrar como a liberdade desordenada permite a ascensão de um governo arbitrário ao poder. Com ela, o velho filósofo grego parece ter previsto o Brasil de 2025, onde o Supremo Tribunal Federal (STF), em sua pretensão de ordenar o cosmos político, ergue-se como um verdadeiro demiurgo judicial, legislando, julgando e executando com a soberba de quem se julga acima dos reles mortais. A decisão de 26 de junho, que mutilou o artigo 19 do Marco Civil da Internet, obrigando plataformas digitais a exercerem censura preventiva sob o vago pretexto de combater “condutas ilícitas”, é mais que um atentado à liberdade de expressão; trata-se de uma revolta contra a ordem da justiça, que, desde Platão até São Tomás de Aquino, exige que a lei sirva ao bem comum, não ao capricho de uma casta. Os Estados Unidos, sob a administração Trump, reagiram com a ameaça de tarifas de 50% com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, denunciando as “restrições ilegais” do STF. Mas o que está em jogo não é apenas uma querela comercial: é a alma do Brasil, devorada por um Leviatã juristocrático que deglute e regurgita a “soberania nacional” em forma de slogan vazio. No seu último e mais extenso diálogo, Leis, Platão também alertou expressamente para o perigo de governantes que, sob o véu da autoridade, subvertem a ordem legal: “Onde a lei não tem autoridade, ali a cidade está à beira da ruína; mas onde a lei é soberana, acima dos governantes, ali reside a salvação da cidade” (Leis, 715d). Ao obrigar plataformas como Google e Meta a removerem conteúdos com base em critérios subjetivos e arbitrários, o STF inverte essa máxima. A decisão, aprovada por oito votos contra três, transforma as gigantes da tecnologia em inquisidores algorítmicos, forçados a antecipar os humores da Corte sob pena de multas e sanções. Como observou o advogado André Marsiglia, esse “dever de cuidado” – um eufemismo orwelliano – cria um efeito inibidor (chilling effect) que sufoca o verbo, desde o jornalismo investigativo até o humor político. A lei, que deveria ser, nas palavras de São Tomás de Aquino, “uma ordenação da razão para o bem comum”, torna-se um instrumento de arbítrio, onde a subjetividade dos juízes prevalece sobre a objetividade da justiça. Sob administração de um sujeito que foi vítima pessoal da perversão da justiça, os EUA não tardaram em responder. O relatório do Escritório do Representante Comercial, de 15 de julho de 2025, acusa a regulação brasileira de ameaçar a “livre circulação de ideias” e impor custos desproporcionais às empresas americanas. A ameaça de tarifas, a vigorar a partir de 1º de agosto, é um golpe na economia brasileira, mas também representa a Nêmesis que pune a hybris do STF. Como, novamente, ensinou Platão (Górgias, 469b): “o maior mal é cometer injustiça, pois o injusto não apenas prejudica os outros, mas corrompe a si mesmo”. O Supremo, ao se arvorar como chefe de Estado do país, comete essa injustiça, pois subverte a separação dos poderes e corrompe o Estado democrático que diz proteger. A licitação de 2024 para monitorar redes sociais, com relatórios diários e georreferenciamento, é um panóptico digital que ultrapassa a imaginação de Jeremy Bentham. A deputada Carol de Toni denunciou esse “olho que tudo vê” como um atentado à liberdade, mas a Corte, surda às críticas e cega à destruição causada, marcha para o abismo como um Weltgeist hegeliano – ao som, não de Die Walküre, mas de “Tocando em Frente”. Essa aventura juristocrática é a mais pura inversão revolucionária, que troca a ordem natural pela vontade de uma nomenklatura togada. Nessa ópera do cerrado, o Congresso reduz-se a um espectador impotente. E o povo, que adorna essa democracia de festim, reduz-se também a um mutismo dolente de escravo. A reação americana é, portanto, sintoma de um mal maior. O cientista político Thales Castro, do Iperid, observa que a retórica antiocidental do governo Lula, aliada às decisões do STF, cria um ambiente hostil que agora reverbera na economia. Fábio Coelho, do Google Brasil, alerta que o jornalismo e o humor político poderão ser vítimas da censura algorítmica. A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão, liderada por Júlia Zanatta, denuncia a “subjetividade perigosa” dos critérios da Corte, mas o Supremo, esse Torquemada cibernético, permanece alheio aos clamores dos “hereges”. Fonte:
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The Narrator 9 months ago
*Artigo de Leandro Ruschel publicado no X em 16/07/2025* A perseguição política contra a direita, no Brasil e nos EUA, foi arquitetada pelo deep state norte-americano — aparelhado pela esquerda. Agora o jogo virou, mas quase ninguém está comentando o que realmente importa Quase toda análise sobre o embate entre o governo americano e o regime brasileiro fica na superfície, ignorando o cerne da questão. A mesma esquerda que hoje balança a bandeira da “soberania nacional” — reação típica de regimes autoritários quando punidos por sanções externas — abraçou de bom grado, no passado, a intervenção norte-americana que montou uma engrenagem de censura e repressão à direita, sobretudo no ambiente digital. Já sabemos que a retórica da “moderação” de redes, do combate às “fake news” e ao “discurso de ódio” não surgiu espontaneamente, tampouco foi iniciativa genuinamente brasileira. Tudo foi gestado no Departamento de Estado dos EUA e nos seus tentáculos, como a USAID, em parceria com fundações globalistas bilionárias — Open Society (George Soros) e Luminate Group (Pierre Omidyar), entre outras. A esquerda aparelhou o Estado americano para concentrar poder e promover um projeto globalista que, paradoxalmente, mina a própria soberania dos EUA. As maiores ameaças a esse plano foram o movimento MAGA de Trump e o Brexit, que lançou um tiro de canhão na União Europeia — a joia do socialismo globalista. As redes sociais livres romperam o monopólio da velha imprensa, possibilitando o renascimento da direita no Ocidente. O deep state reagiu acionando sua máquina: acadêmicos criaram a “base científica” para justificar censura “em defesa da democracia”; laboratórios de internet, bancados por dinheiro público e filantropia ideológica, mapearam perfis conservadores a serem silenciados; e as agências de “fact-checking” assumiram o papel de Ministério da Verdade, ditando a “versão oficial” dos fatos. Investidores militantes pressionaram Big Tech a implementar a censura sistemática — tarefa facilitada, já que boa parte de seus executivos compartilha a mesma visão ideológica. Em paralelo, diplomatas americanos fizeram lobby mundo afora para exportar esse aparato repressivo. O Judiciário brasileiro abraçou o modelo com entusiasmo. O timing não foi obra do acaso. Após a devastação econômica patrocinada pelo petismo e o terremoto moral exposto pela Lava Jato, o Brasil entrou em ebulição. Tornou-se imperativo controlar a narrativa. Não por outra razão, os manuais de “combate à desinformação” e “proteção da democracia” adotados pelo Judiciário copiam, ponto por ponto, o roteiro do deep state norte-americano. O objetivo era cristalino: reverter as condenações de dezenas de figurões do establishment — investigados, julgados e presos no maior esquema de corrupção da história — e devolvê-los ao poder. Durante a eleição de 2022, o governo Biden foi além: mobilizou sua máquina diplomática para garantir a ascensão de Lula — algo reconhecido pelo ministro Luís Roberto Barroso. Em evento do LIDE, em Nova York, Barroso afirmou ter pedido repetidas declarações de apoio dos EUA à “democracia brasileira”, ressaltando que isso influenciou os militares, “que não gostam de se indispor com os Estados Unidos”. Nenhum progressista falou em “soberania” quando essa intervenção se desenrolava entre 2019 e 2022. Mas o jogo virou. O esquema totalitário que a esquerda globalista ergueu recaiu sobre Trump: sabotaram sua gestão, usaram todo tipo de manipulação para retirarem ele do poder em 2020 e, em 2024, ele foi alvo até mesmo de tentativas de assassinato. De volta ao poder, Trump iniciou a desarticulação do aparato esquerdista: a USAID foi esvaziada e ONGs vermelhas mundo afora perderam verbas. É aí que está o drama do establishment brasileiro: o pilar americano de sua máquina de repressão ruiu. Esse é o pano de fundo das tarifas. Sob comando MAGA, pelo menos até 2029, os EUA não patrocinarão mais regimes de censura como o brasileiro. As tarifas são apenas uma alavanca de pressão. Além disso, Brasília se alinha ao eixo antiamericano — China, Rússia e Irã. Sem o respaldo de Washington, o regime brasileiro enfrenta um dilema: restaurar a democracia e preservar laços com os EUA, ameaçando perder o poder, ou aprofundar a repressão e isolar-se do Ocidente, trilhando o caminho de China, Rússia e Venezuela. Enquanto a militância de redação culpa Bolsonaro, o buraco é mais embaixo. Com ou sem Bolsonaro, enquanto o regime censurar a direita e se alinhar a inimigos dos EUA, o conflito com Washington só vai escalar. Os sócios majoritários do regime brasileiro, representados pela velha oligarquia política, e pela elite empresarial e financeira, precisa encarar a realidade: manter Lula no Planalto custará cada vez mais caro. Fonte: https://x.com/leandroruschel/status/1945505481679609863
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The Narrator 9 months ago
**O fim da democracia no Brasil** *Editorial da Gazeta do Povo publicado em 06/07/2025* Ao longo dos últimos dias, neste espaço, a Gazeta do Povo dedicou-se a mostrar algumas das nefastas consequências da decisão recente do Supremo Tribunal Federal que alterou o Marco Civil da Internet. Os efeitos deste julgamento se farão sentir de forma drástica sobre a liberdade de expressão, que já agonizava no Brasil havia muito tempo. Mas também nos propusemos a mostrar como vários outros elementos essenciais para a construção de uma democracia foram atingidos, de uma forma ou de outra. Apesar de todo o discurso das autoridades – especialmente nos poderes Executivo e Judiciário – sobre a “defesa da democracia”, há anos muitos brasileiros vêm se perguntando se nosso país ainda pode ser considerado democrático. Essa questão exige resposta. Um conceito simplório de democracia a resume à realização de eleições periódicas – recorde-se, por exemplo, a afirmação de Lula em 2005 sobre o “excesso de democracia” na Venezuela do ditador Hugo Chávez, por conta do volume de consultas populares. A democracia exige muito mais do que o simples rito eleitoral. Ela pressupõe inúmeros outros elementos, que podem, em grande medida, ser enfeixados dentro do conceito de “Estado de Direito”, como, por exemplo, respeito à Constituição; rigorosa observância de uma separação equilibrada de poderes – de forma que nenhum poder se imponha sobre os demais –; proteção efetiva de inúmeras liberdades individuais fundamentais – liberdade de expressão, direito de ir e vir, liberdade religiosa, direito a um julgamento justo, devido processo legal etc. –; e algumas garantias especiais para o exercício pleno da representação popular, como a imunidade parlamentar. A ideia de Estado de Direito, essencial à democracia, significa em resumo o império da lei: nenhuma autoridade tem o direito de atropelar os diplomas legais, muito menos a Constituição, para impor a própria vontade. A supressão ou o enfraquecimento de qualquer desses elementos desqualifica ou compromete de forma grave a caracterização de um país como democrático. Sem liberdade de expressão, portanto, não há democracia, e o Brasil é um país onde a liberdade de expressão não mais vigora. E não falamos das restrições proporcionais e justificáveis a essa liberdade, que o Estado tem o direito de aplicar – fazer incitação ao crime, por exemplo, não é exercício da liberdade de expressão, mas um abuso que pode e deve ser coibido. O que desejamos afirmar é que, no Brasil, existe uma lista enorme de temas que não podem ser discutidos livremente, questionamentos que não podem ser feitos, comportamentos que não podem ser contestados, autoridades que não podem ser criticadas, sob pena de os autores desse tipo de publicação serem acusados de “ataque à democracia” e “discurso de ódio”. As novas regras para a responsabilização jurídica de provedores, como demonstramos, resultarão em uma onda de censura ainda maior que aquela que já presenciamos desde 2019, quando foi aberto o inquérito das fake news no Supremo. Os últimos anos foram pródigos em restrições à liberdade de expressão, mas elas jamais haviam sido institucionalizadas como o foram no julgamento recém-concluído. Sem independência entre poderes tampouco há democracia. E o Brasil atravessa um momento em que o Supremo exerce uma posição de ascendência inédita sobre os demais poderes da República. Com o petismo no poder, o STF já não anda disposto a anular atos do Executivo como fazia com frequência no governo de Jair Bolsonaro, imiscuindo-se em assuntos como política sanitária e tributária. Mas o Congresso continua submetido ao Supremo, que anula ou reescreve quaisquer leis que contrariem as convicções pessoais dos ministros, que abusam do “controle de constitucionalidade” e de declarações de “omissão” – exatamente como ocorreu no caso do Marco Civil da Internet. Os apelos do STF ao legislador, como também mostramos, são mero cinismo, pois é evidente que o Supremo não aceitará nenhuma lei que destoe das decisões anteriores dos ministros. O Legislativo, agora, só pode legislar se as leis saírem ao gosto do Judiciário, que se torna uma instância superior que chancela o trabalho de deputados e senadores. Demonstramos, ainda, como o julgamento do Marco Civil da Internet reafirmou uma visão bastante peculiar que os ministros do Supremo têm sobre a sociedade. Aos seus olhos, a população brasileira parece mais um conjunto de riscos a serem contidos – ou um coletivo de incapazes que precisam ser tutelados – do que um corpo de cidadãos plenos, dotados de discernimento e autonomia. Mas é precisamente isso que se espera em uma democracia: um povo livre, fonte da legitimidade do poder, com voz não apenas nas eleições, mas no pleno exercício de seus direitos civis. Agora, recordemos também o desmonte de outras garantias democráticas ao longo dos últimos anos. Ao menos desde 2021, o Brasil tem assistido ao desmonte do instituto da imunidade parlamentar, a ponto de haver deputados sendo investigados por discursos feitos no plenário da Câmara. E a repressão aos participantes dos lamentáveis atos de 8 de janeiro de 2023 passou de todos os limites possíveis em termos de aberrações jurídicas e implosão do devido processo legal. A individualização da conduta foi abolida na denúncia e no julgamento de centenas de réus, levando-os a serem condenados por crimes que não cometeram; pessoas que tinham o direito legal à prisão domiciliar foram mantidas encarceradas, enquanto outros permaneceram presos mesmo que os fatos desmentissem as justificativas para a prisão; julgamentos virtuais permitem que os ministros profiram votos sem nem sequer assistir aos vídeos gravados pelos advogados dos réus; e o julgamento no STF viola o princípio do juiz natural. Em março, os 40 anos da redemocratização brasileira foram comemorados com muita pompa e circunstância em Brasília. Foi em janeiro de 1985 que Tancredo Neves, ainda de forma indireta, foi eleito para ser o primeiro civil a governar o Brasil desde o golpe de 1964, e foi em março daquele ano que José Sarney foi empossado, diante da doença que levaria Tancredo à morte um mês depois. Pois tudo o que vimos acima – e ainda haveria muito mais a relatar – nos permite dizer que o experimento democrático brasileiro está encerrado depois de quatro décadas. Não temos um ditador “clássico”, muito menos sustentado pela força das armas; mas temos um superpoder (o Judiciário) livre para fazer, reescrever e ignorar leis para impor as próprias vontades e perseguir grupos político-ideológicos de cidadãos – às vezes em conluio com o Executivo, às vezes prescindindo dele –, enquanto o Legislativo está emasculado, incapaz de servir de contrapeso. A ciência política talvez ainda não tenha uma categoria clara para descrever o que ocorre no Brasil, mas poderíamos falar em um autoritarismo sutil e difuso, que substituiu de vez uma democracia que já estava disfuncional havia anos. Diagnosticar essa realidade com clareza não é pessimismo, é lucidez. E é a partir dessa lucidez que ainda podemos, talvez, reconstruir os fundamentos de uma democracia verdadeira. Fonte: