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**Uma visita crucial para a liberdade de expressão no Brasil** *Editorial da Gazeta do Povo publicado em 11/02/2025* A situação catastrófica da liberdade de expressão no Brasil pode finalmente ganhar a repercussão internacional que tem faltado até agora. Pedro Vaca Villareal, relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), está no Brasil desde o último domingo, dia 9, e deve ouvir tanto autoridades dos três poderes quanto representantes da academia, da imprensa e de plataformas digitais, sem falar em algumas das inúmeras pessoas que foram censuradas em algum momento desde a instauração do inquérito das fake news no STF, em abril de 2019. Até onde se sabe, não deve haver nenhum tipo de pronunciamento durante a visita: o relator vem apenas para ouvir, e só depois deve expor sua avaliação em um relatório. Em Brasília, Vaca Villareal já se encontrou, na segunda-feira, com o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, que chamou seu colega Alexandre de Moraes, o censor-mor da República. A julgar pela nota publicada pelo STF após a reunião, já que o relator não deu declarações ou entrevistas, os ministros fizeram o seu melhor para convencer Vaca Villareal que está tudo na mais perfeita ordem; que, se foi preciso censurar, foi apenas em nome da “defesa da democracia”; e que nada foi feito às escondidas. Obviamente, se o relator tiver um mínimo de desconfiômetro, haverá de se perguntar como é que se “defende a democracia” agredindo a liberdade de expressão de forma tão escancarada. E temos tudo para crer que os ministros não lhe disseram que a suspensão sumária de perfis não tem amparo no Marco Civil da Internet, e é inclusive inconstitucional, por configurar um tipo de censura prévia inaceitável em uma democracia. Mas, ainda que o relator não tenha estudado a lei brasileira antes de sua viagem para descobrir que o Marco Civil da Internet só permite a remoção de publicações específicas, e não a censura de perfis, os parlamentares de oposição que ele encontrou nesta terça-feira certamente terão explicado a Vaca Villareal onde residem as ilegalidades e os abusos cometidos pelas cortes superiores ao longo de todos esses anos, a começar pela censura da revista Crusoé, em 2019, um dos primeiros episódios do inquérito das fake news, e que deu o tom de tudo o que viria a seguir. Foram esses parlamentares que deram início ao processo que terminaria com a vinda do relator ao Brasil: em novembro de 2024, eles foram a Washington para uma reunião que acabou cancelada de última hora (e substituída por uma audiência a portas fechadas), sob a alegação de que o governo brasileiro havia convidado o relator especial para vir ao país – é esta visita que está em andamento agora. O relator da CIDH ainda terá muito mais a ouvir. Ele poderá conhecer, em primeiríssima mão, as histórias de brasileiros censurados arbitrariamente pelas cortes supremas (alguns desses relatos já lhe haviam sido enviados por escrito); e saberá que, ao contrário do que lhe disseram Barroso e Moraes, as decisões de censura costumam ser sigilosas, a ponto de muitas das vítimas nem sequer saberem quais publicações as colocaram na mira do STF ou do Tribunal Superior Eleitoral. Ainda ouvirá juristas especializados em liberdade de expressão, que dirão a Vaca Villareal que não apenas o ato de censura em si é uma violação grotesca da Constituição brasileira e da Convenção Americana de Direitos Humanos, mas também que brasileiros são censurados por publicações que nem sequer constituem crime, pois nem “fake news”, nem “desinformação”, nem “discurso de ódio” são categorias definidas na lei brasileira. Que Vaca Villareal tenha a disposição de ouvir com verdadeira abertura os relatos sobre nossa mistura de O Processo, 1984 e Fahrenheit 451; a honestidade intelectual de perceber quão maltratada tem sido a liberdade de expressão no Brasil; e a coragem de, em seu relatório, chamar as coisas pelo que são e mostrar como o Judiciário brasileiro, com o apoio do atual Executivo e de seus aliados na sociedade civil, tem solapado sistematicamente as garantias democráticas no Brasil. Neste momento, é impossível garantir que será de fato assim, mas, se isso acontecer, estaremos diante de uma grande vitória. Independentemente de haver ou não consequências formais (por exemplo, uma condenação), a mera exposição, com a chancela da Organização dos Estados Americanos (OEA, à qual a CIDH é vinculada), do regime censor instaurado pelo STF já terá o poder de chamar a atenção do mundo para o que ocorre no Brasil – e isso não é pouca coisa. Fonte:
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**A vaca foi pro brejo!** *Artigo de Rodrigo Constantino publicado em 11/02/2025* No combate ao câncer é fundamental manter o otimismo e alguma leveza. Temos que ter o foco no resultado, na cura. Mas perdoem-me os leitores: em alguns dias teremos mau humor, quando aquela sensação de enjoo demora a desaparecer, quando tomamos consciência da magnitude da travessia no deserto que ainda enfrentaremos para finalmente chegar lá. Hoje é dia de azedume, portanto. Muita gente esperançosa com a visita da turma da OEA ao Brasil, para "avaliar a situação". O relator Pedro Vaca ficou quase duas horas reunido com ministros supremos. Com pinta de Jean Wyllys, Vaca já chegou a escrever no passado recente: "Discurso de ódio aumenta no Twitter em seus maiores mercados após aquisição de Musk". E citou o Brasil em particular: "Musk cortou praticamente todos os funcionários no Brasil, permitindo um aumento descontrolado de desinformação que ajudou a alimentar os ataques deste mês ao centro de governo do país". Dá para confiar? Lamento ser o estraga-prazeres, mas acho que essa Vaca já foi para o brejo! Sim, o relator da OEA vai ter que enfrentar Musk e Trump se insistir na palhaçada, fingindo que acredita nas ladainhas dos ministros. Pode ter a verba cortada, e vai entrar em tempos de... Vacas magras! Mas será que Pedro Vaca vai mesmo fazer o trabalho de forma minimamente séria e imparcial? Pergunto isso pois era tão óbvio e fácil desmascarar a narrativa dos verdadeiros golpistas. Bastava fazer uma perguntinha ao relator: "Señor Vaca, ¿qué piensa usted de un juez que celebra la derrota de un candidato?". Pode um juiz torcer para a derrota de um candidato e depois comemora-la, vangloriando-se de que foi responsável por ela, isso tudo ao lado de comunistas? Que piada, gente! Enquanto isso, um ministro do próprio governo lulista diz novamente que as penas aos presos do 8 de janeiro são abusivas, mas a militante Vera Magalhães, no programa bancado com recursos do estado de SP do governador Tarcísio, insiste na premissa falsa. Quando um ministro lulista tem mais bom senso do que "jornalistas" mainstream, é porque a coisa está feia mesmo! O consórcio golpista está aí para quem quiser ver, e inclui velha imprensa, petistas e ministros supremos. Por fim, Brasil tem a pior colocação da história em ranking de percepção de corrupção. Puxa vida! Quem poderia imaginar que colocar o ladrão de volta à cena do crime, como alertava seu próprio vice, produziria esse efeito?! São coisas realmente espantosas! Peço perdão ao leitor pelo tom de desabafo, mas é que precisamos dos dias ruins também para lembrar que não é moleza enfrentar o câncer. Vamos vencer no final, tenho fé. Mas é preciso ser realista: a bandidolatria tomou conta de tudo e estamos em situação de metástase. Preparem-se para o enjoo profundo da quimioterapia, meus caros... Fonte:
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**O que Moraes não contou ao relator da CIDH** Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, listou uma série de supostas ilegalidades promovidas pelo ministro *Editorial da Crusoé publicado em 10/02/2025* O ex-procurador da Lava Jato e membro do partido Novo, Deltan Dallagnol, respondeu a uma publicação no X que registrava o encontro do Relator Especial para a Liberdade de Expressão (RELE) da CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos), Pedro Vaca Villareal, com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, para conversar sobre "liberdade de expressão no país". Deltan listou episódios de supostas violações processuais e ilegalidades promovidas por Moraes, desde 2019, entre as quais as alegadas "censuras nas redes sociais por conteúdos e discursos que não são lícitos nem criminosos". "Curiosidade: O ministro contou ao relator que prendeu Filipe Martins ilegalmente, sem denúncia, por seis meses, utilizando como fundamento uma informação fraudada? Contou que Mauro Cid e Anderson Torres também ficaram meses presos sem denúncia? Contou que Silvinei Vasques ficou mais de um ano preso sem denúncia, assim como Débora Rodrigues, Jackson Rangel e dezenas de outros presos do 8 de janeiro? Será que ele contou ao relator que intimou o X e o Elon Musk por tweetada? Contou que inventou um grupo econômico inexistente entre X e Starlink para bloquear quase R$ 30 milhões da Starlink e forçar Musk a obedecer suas ordens ilegais? Será que ele contou que se reúne periodicamente com Lula, o PGR, o diretor da PF e outros ministros do STF para conversarem sobre "avaliação de cenário"? E será que ele contou que, desde 2019, vem censurando pessoas nas redes sociais por conteúdos e discursos que não são ilícitos nem criminosos, violando a lei brasileira, que proíbe censura prévia e o bloqueio de perfis inteiros nas redes? Na publicação, Deltan sugeriu que nenhum dos episódios citados foi revelado ao relator da CIDH. Poderia ficar o dia inteiro aqui fazendo outras perguntas tão pertinentes quanto, mas vocês já entenderam qual é a ideia", escreve Deltan. **Conversa com ministros** O Supremo divulgou uma nota com um resumo do que foi conversado entre Vaca Villareal e os dois ministros da Corte nesta segunda, 10. De acordo com a publicação, Barroso explicou ao relator o “conjunto fatos ocorridos no país que colocou em risco a institucionalidade e exigiu a firme atuação do Supremo“, em referência aos episódios de ataque à Praça dos Três Poderes e os desdobramentos. Além disso, o presidente do STF teria ditado a Vaca Villareal que havia um planejamento para a morte do presidente Lula (PT), do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro Alexandre de Moraes, conforme indicou a Operação Contragolpe, da Polícia Federal (PF). Segundo a nota, Moraes expôs as circunstâncias que levaram à suspensão da rede social X“, que pertence ao bilionário e membro do governo americano, Elon Musk, em 30 de agosto do ano passado. O ministro fez um balanço sobre as mais de 1.900 denúncias em decorrência do ataque à Praça dos Três Poderes e defendeu a legalidade dos inquéritos. “Em todos esses casos, houve acompanhamento da Procuradoria-Geral da República e das defesas, tendo havido mais de 70 recursos julgados em colegiado. Ou seja, em nenhum caso, os processos foram de natureza secreta para as partes envolvidas“, diz trecho. **Visita ao Brasil** Esta é a primeira agenda do escritório da CIDH em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Em janeiro, a RELE afirmou que viajaria ao Brasil para “compreender a diversidade de perspectivas e experiências em relação à situação do direito à liberdade de expressão, incluindo no espaço digital.” Vaca Villareal tem encontros marcados com integrantes do governo federal, congressistas, lideranças políticas, jornalistas, organizações de Direitos Humanos e sociedade civil. Fonte:
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**Alexandre de Moraes ensina com quantos bloqueios se faz autocensura** Ministro do STF disse que só bloqueou 120 perfis ao relator da CIDH. Bastou isso para espalhar o medo *Artigo de Duda Teixeira publicado em 11/02/2025 na Crusoé* O ministro do STF Alexandre de Moraes (na foto, à direita) defendeu, em um encontro com o relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Pedro Vaca (à esquerda), que a censura no Brasil não é assim tão grave como dizem. Afinal, segundo ele disse na segunda, 10, foram bloqueados "cerca de 120 perfis" ao longo dos últimos cinco anos. Tambem de acordo com Moraes, "28 investigados têm perfis em redes sociais bloqueados por ordem do STF – oito no inquérito que apura ameaças ao STF, 10 no inquérito dos atos antidemocráticos e 10 no inquérito que apura tentativa de golpe de Estado". De acordo com uma nota publicada no site do STF, Moraes usou esses números para desfazer "a narrativa de um quadro generalizado de remoção de perfis". O problema é que não existe uma régua que diga quantos perfis podem ser bloqueados em uma democracia, sem que isso seja considerado uma violação aos direitos humanos ou um abuso do Judiciário. Não há um critério quantitativo. Moraes poderia ter bloqueado dez perfis ou mil perfis, o efeito não seria diferente. O que importa para a saúde da democracia brasileira é, em primeiro lugar, como as pessoas têm reagido às decisões de Moraes. Em segundo lugar, importa a mensagem que o STF tem enviado para todos os demais juízes brasileiros. E, nesses dois pontos, as consequências das decisões de Moraes são extremamente danosas. **Autocensura** Com suas decisões arbitrárias, Moraes promoveu a autocensura no Brasil, com uma intensidade que não era vista desde a ditadura militar. Milhões de brasileiros aprenderam que não podem criticar o STF. Mensagens deixaram de ser publicadas nas redes sociais. Editores desistiram de publicar livros. Advogados não são chamados para dar entrevistas nos canais de televisão. **Medo de se expressar** Um levantamento da Paraná Pesquisas, feito no ano passado, apontou que 61% dos brasileiros acham que podem ser punidos por falar ou escrever o que pensam nas redes sociais. Apenas 32% entendem que podem falar ou escrever o que pensam. Esse clima de medo não seria muito diferente se Moraes tivesse bloqueado metade dos perfis, ou o dobro. **Censura como regra** A sensação se torna ainda mais aguda porque outros togados entenderam que a censura, a derrubada de perfis e as fogueiras de livros são a regra, e não a excessão. O que Moraes fez no Brasil foi divulgar a ideia de que a liberdade de expressão só pode ser aceita quando está a serviço de ideias aprovadas de antemão pelas autoridades. Quem fugir do discurso aceito pelos poderosos pode ser punido, mesmo sem cometer crime algum. Seguindo a escola de Moares, o ministro do STF Flávio Dino mandou retirar de circulação livros que, segundo ele, ameaçavam a comunidade LGBT. Moraes difundiu em todas as instâncias do Judiciário a prática de censurar antes e perguntar depois. Ele conseguiu isso bloqueando 120 perfis. Poderia ter sido mais, poderia ter sido menos. O efeito — a autocensura generalizada — é o que importa para a democracia. Fonte:
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**Sobre liberdade de expressão e fake news** *Artigo de Fernão Lara Mesquita publicado em 11/02/2025 no Vespeiro* O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e Alexandre de Moraes receberam segunda-feira (10) o relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Pedro Vaca. Barroso – aquele do “nós derrubamos o Bolsonarismo”, do “eleição não se ganha, se toma” e do “perdeu Mané” – foi o encarregado de dizer ao emissário da OEA que a liberdade de expressão jamais foi violentada pela ditadura lulista, apesar de “discurso de parlamentar que defendia a agressão a ministros do Supremo, juntamente com inúmeras ofensas, e situações de risco democrático, como a politização das Forças Armadas, os ataques às instituições, além do incentivo a acampamentos que clamavam por golpe de Estado”. Ah! E que novas investigações descobriram, recém, “avançada articulação de golpe de Estado, inclusive com planejamento da morte do presidente da República, do vice-presidente e de um ministro do Supremo” por perigosos sicários viajando em táxis. Já Moraes – o que telefonava pessoalmente para funcionários subalternos do Twitter e, sob ameaça de prendê-los, mandava cassar redes até de senadores no exercício do cargo, que a rede ameaçada devia apresentar como de sua própria iniciativa e não por ordem dele – “narrou, detalhadamente, as circunstâncias que levaram à suspensão do X”. Alexandre disse ainda que apesar de cerca de 1.900 pessoas terem sido denunciadas após os ataques de 8 de janeiro – com 450 condenadas e outras 600 tendo topado assinar “confissão” padronizada pra não serem presas – “atualmente só 28 investigados têm perfis em redes sociais bloqueados: 8 no inquérito que apura ameaças ao STF; 10 no inquérito dos atos antidemocráticos; e 10 no inquérito que apura tentativa de golpe de Estado”. Ao longo dos últimos cinco anos, segundo ele, só “cerca de” 120 perfis foram bloqueados, e “em todos esses casos, houve acompanhamento da Procuradoria Geral da República e das defesas”. Não se sabe se ele explicou o pormenor de que “as defesas” – mesmo dos condenados a décadas de prisão – se expressam por gravações não presenciais enviadas ao STF poucos minutos antes do pronunciamento das sentenças. Segundo sua eminência reverendíssima, “tudo no Supremo é feito com absoluta transparência”. Fonte:
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The Narrator 0 years ago
**Eduardo Bolsonaro diz que foi intimado pela PF por críticas a delegado** *Artigo de Diógenes Freire Feitosa publicado em 11/02/2025 na Gazeta do Povo* O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que foi intimado pela Polícia Federal (PF) por ter feito crítica ao delegado Fabio Alvarez Shor, responsável pela investigação de boa parte dos inquéritos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, políticos e militantes da direita. “Na semana em que a OEA vem ao Brasil especificamente tratar de violações à liberdade de expressão, este parlamentar é intimado pela PF. O crime? Discursar na Tribuna da Câmara criticando o delegado que faz tudo que Alexandre de Moraes manda”, disse o deputado em uma publicação no X, nesta segunda-feira (10). Desde o último domingo (9), o Brasil está recebendo a visita oficial e inédita de membros da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que, a convite do governo brasileiro, devem avaliar a situação da liberdade de expressão no país. A CIDH é um órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA). Eduardo Bolsonaro, que é escrivão licenciado da Polícia Federal, também disse que a instituição está usando a estrutura do Estado para persegui-lo administrativamente. “Uma pessoa sem valores pode virar um criminoso. Um criminoso investido de poder estatal pode virar um cachorrinho. A cada degrau de poder que uma pessoa inescrupulosa sobe, mais reprovável é sua conduta criminosa. Eu respeito mais um ladrão comum do que um burocrata covarde”, disse o parlamentar em outra publicação. “Um PM eleito deputado federal não pode criticar a PM? Um professor eleito deputado federal não pode criticar a escola? A isso que querem chamar de democracia? Ou será que é mais apropriado Xandequistão, onde seus cachorrinhos têm mais poder que um deputado?”, completou. Na semana passada, o delegado Fabio Alvarez Shor foi promovido a chefe da Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da Polícia Federal. A Divisão integra a Diretoria de Inteligência Policial (DIP) da PF. Fonte:
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The Narrator 1 year ago
**Não existe tirano bonzinho** *Artigo de Rodrigo Constantino publicado em 10/02/2025* O STF liberou, sob inúmeras restrições ainda, várias contas de perseguidos políticos nas redes sociais. Monark, Guilherme Fiuza, Bernardo Kuster, entre outros, puderam retomar o controle de suas contas suspensas nas plataformas por ordens ilegais de Alexandre de Moraes. O que está acontecendo, afinal? Muitos comemoraram, acreditando se tratar de um ajuste às vésperas da visita do senhor Pedro Vaca e sua comissão da OEA. Não resta dúvidas de que há fortes ventos de mudança no mundo por conta da nova gestão Trump, demandando postura imparcial de quem recebe financiamento do governo americano. Mas houve mudança para valer que deva ser comemorada? É cedo demais para dizer. Essa turma do STF vem dobrando a aposta até aqui, e eis que decide jogar algumas migalhas aos perseguidos para sinalizar normalidade institucional no país. É cálculo pragmático de quem não quer perder o poder. Não existe tirano bozinho ou arrependido, isso está claro. Por isso mesmo é importante aumentar a pressão, em vez de considerar essas migalhas uma espécie de “bandeira branca”. O advogado Andre Marsiglia também acredita que é cedo demais para celebrar: “Penso que o mais provável é que o STF queira, durante a semana de visita da CIDH, dar uma impressão de normalidade ao país, com o retorno de contas famosas. É colocar a poeira mais visível debaixo do tapete, enquanto a visita não vai embora. Tomara que eu esteja errado, mas o país construiu uma estrutura sólida de censura que não se desfaz da noite para o dia. O ‘efeito trump’ poderá ser relevante no desmantelamento da estrutura, mas, a meu ver, é ingênuo crer que será instantâneo”. Leandro Ruschel também se mostrou cético: “A liberação de alguns perfis que estavam censurados não representa o fim do regime de repressão política contra a direita, infelizmente. Todos os procedimentos persecutórios seguem abertos, e qualquer brasileiro segue a uma canetada de ser proscrito nas redes sociais. Segundo a imprensa, a decisão que liberou os perfis prevê multas pesadíssimas a quem voltar a postar ‘desinformação ou discurso de ódio contra as instituições’. Ora, o que exatamente seria isso? Pelo que vimos nos últimos vários anos de repressão, é qualquer coisa que desagrade o establishment. Esses processos todos devem ser anulados, assim como as penas impostas aos perseguidos políticos. A Constituição precisa voltar a ser respeitada. Só assim acabará o estado de exceção, no Brasil”. Sim, os tiranos supremos brasileiros sabem que o jogo mudou e que Donald Trump não está de brincadeira. Eles também sabem que Elon Musk está trabalhando para expor o verdadeiro golpe ocorrido no Brasil, com ajuda internacional. Eles vão ajustar as velas para navegar mares mais revoltos, mas isso não quer dizer, em hipótese alguma, um recuo sincero em seu autoritarismo. Até porque eles sabem que deixaram rastros e que podem ser punidos por seus crimes. Os acenos que fazem, portanto, são tímidos demais e falsos demais. Não devem ser percebidos como mudança real de postura, eis o ponto. Os defensores da liberdade precisam intensificar a pressão e cobrar transparência, assim como denunciar esses tiranos em todas as esferas. De minha parte, como um perseguido que continua sob censura prévia, com passaporte cancelado e contas bancárias congeladas, vou trabalhar até o fim para expor as ilegalidades praticadas por Moraes e seus cúmplices. E vale lembrar que fizeram tudo isso com um cidadão americano. Não quero vingança; mas quero justiça! Fonte: Não existe tirano bonzinho
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**Governo prepara projetos de lei para regular plataformas digitais, diz jornal** *Editorial da Gazeta do Povo publicado em 09/02/2025* Tanto o Ministério da Justiça e Segurança Pública quanto o Ministério da Fazenda estão preparando projetos de lei que visam regular as plataformas digitais. A apuração é do jornalista Guilherme Caetano, do Estadão. Dois anos após o PL das Fake News ter perdido força graças à pressão das maiores empresas do setor, os dois ministérios entendem que é hora de debater novas regulamentações para o ambiente digital. As iniciativas vão na contramão de direcionamentos como o da Meta (responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp), que resolveu flexibilizar medidas contra o chamado "discurso de ódio", em diretriz afinada com o governo Donald Trump e o pensamento de seus aliados. Segundo o jornal, esse alinhamento americano e o episódio da "taxação do PIX", em que o governo Lula precisou lidar com vídeos virais e memes que criticavam medidas anunciadas, fez com que parecesse urgente a criação de novos projetos de regulamentação das redes. Elaborado pela Secretaria de Políticas Digitais (Sedigi), o projeto do Ministério da Justiça pretende regular serviços digitais e se volta mais ao direito do consumidor do que à punição às plataformas, conforme disseram membros envolvidos na discussão. O texto quer dar maior transparência de informações aos usuários de redes sociais, como termos de uso e identificação de publicidade. O projeto de lei ainda obrigaria empresas a empregarem medidas para remover conteúdos que constituam crimes graves, como incitação à violência e violações de direitos fundamentais, especialmente de crianças e adolescentes. As companhias seriam submetidas a tirar publicações do ar mediante notificações extrajudiciais a depender do caso. Existe a possibilidade do projeto de lei dividir em duas categorias os alvos das restrições. Haveriam as obrigações gerais, que englobariam todos os serviços digitais, e as obrigações para empresas de grande porte (serviços com público massivo, como as redes sociais). Isso permitiria à legislação enquadrar as big techs com maior rigor. Já o projeto de lei que está sendo elaborado pelo Ministério da Fazenda é voltado para o mercado das plataformas de redes sociais e trata de aspectos econômicos e concorrenciais. O texto amplia o poder do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar e definir obrigações para as empresas, com o intuito de combater eventuais monopólios na oferta de serviços, anúncios ou buscas, além de formas de abuso de poder. Segundo a reportagem, o Palácio do Planalto tem pressa em concluir a elaboração dos projetos de lei, uma vez que o ano legislativo começou e parlamentares podem abraçar essa pauta e liderar as discussões nas casas, o que tiraria do Executivo poder de ditar as regras. A a proposta do Ministério da Fazenda tem mais apoio interno e pode ser aprovada sem grandes contratempos. Fonte:
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**Plataforma de vídeos Rumble é reativada no Brasil após mais de um ano fora do ar** *Artigo de Ligia Martoni publicado em 09/02/2025 na Gazeta do Povo* A plataforma de vídeos Rumble foi reativada no Brasil na noite deste sábado (8). Na conta do X do aplicativo, que é um concorrente do YouTube, o anúncio “Hello Brazil, we’re back (Olá Brasil, estamos de volta) confirmava a especulação de que a plataforma voltaria a funcionar no país depois de pouco mais de um ano fora do ar. O Rumble foi desativado no Brasil em dezembro de 2023 por decisão do CEO da empresa, Chris Pavlovski, que justificou a ação após receber decisões judiciais para retirada de conteúdo do ar, o que considerou censura. Na tarde de sábado, porém, ele usou seu perfil no X para anunciar uma possível reativação, prometendo novas informações em breve. Horas depois, a plataforma entrava no ar novamente e o perfil da empresa exibia o anúncio oficial de retorno. À época da desativação, quem tentava acessar a rede se deparava com o seguinte recado: “Devido às exigências do governo brasileiro para remover criadores de nossa plataforma, o Rumble está atualmente indisponível no Brasil. Estamos desafiando estas exigências do governo e esperamos restaurar o acesso em breve”. A reativação do Rumble ocorre na esteira da liberação de perfis que estavam bloqueados nas redes sociais. Na sexta-feira (7), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a liberação das redes do influenciador Bruno Aiub, conhecido como Monark, além de contas vinculadas a pessoas ligadas a movimentos de direita, como o empresário Luciano Hang, e jornalistas incluídos no inquérito das Fake News, como Guilherme Fiuza e Bernardo Küster. **Manifestações após reativação** Nas redes, vozes da direita se manifestaram após a reativação do Rumble. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) disse em seu perfil no X: “Algo muito estranho está acontecendo. O Rumble decidiu reativar a plataforma no Brasil e diz que algo grande vai acontecer aqui. O fim da censura esta chegando”. No Instagram, o jornalista Allan dos Santos, que vive nos Estados Unidos desde 2020 e chegou a ter prisão determinada por Moraes, fez uma publicação intitulada “É guerra!”, avisando que o Rumble resolveu “comprar a briga” com o ministro e liberar acesso aos brasileiros. Para Santos, Alexandre de Moraes “não irá peitar Donald Trump”. Desde sábado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem feito seguidos posts no X falando sobre o retorno da plataforma. Ao retuitar o anúncio de Pavlovski sobre o possível retorno, o deputado disse que as coisas estavam acontecendo e muita gente estava “pulando do barco” no Brasil. E na manhã deste domingo (9), veio reforçar o recado escrevendo “esse dia chegou”, ao replicar uma frase do CEO do Rumble sugerindo que um dia as grandes empresas de tecnologia se juntariam a eles na luta (pela liberdade de expressão). A liberação dos perfis bloqueados e o retorno da Rumble precedem a visita da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que chega ao Brasil nesta segunda (9) para analisar a situação da liberdade de expressão no país. Fonte:
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**Censura e aliança com ditaduras radicalizam imagem do Brasil no exterior** *Artigo de Leonardo Desideri publicado em 07/12/2024 na Gazeta do Povo* A percepção do Brasil como um país radicalizado e com instituições esfaceladas está ganhando força no exterior, impulsionada pela combinação de políticas públicas e opções diplomáticas do governo Lula e da atuação abusiva do Supremo Tribunal Federal (STF). A imagem de instabilidade institucional tende a reforçar a desconfiança sobre a economia brasileira, que, nas últimas semanas, tem aumentado entre investidores. Nos últimos meses, questionamentos sobre as alianças do governo Lula com ditaduras de esquerda e sobre atos do STF como a censura ao X e o desmonte de ações anticorrupção vieram não só de parlamentares e políticos da direita, mas até mesmo de veículos de comunicação associados à esquerda. No dia 26 de novembro, o jornal americano The New York Times fez uma longa reportagem sobre como o STF está desmantelando as conquistas da Operação Lava Jato apoiando-se no argumento de que os promotores, investigadores e juízes do caso atuaram de forma parcial. Em junho, o britânico Financial Times já havia feito reportagem semelhante. Do ponto de vista do Executivo, a diplomacia brasileira, ao aproximar-se de regimes autoritários, tem ajudado a reforçar a imagem de que o país se distancia de padrões democráticos ocidentais, alinhando-se ao eixo autocrático. Na cúpula do G20 em novembro, ficou clara a prioridade que o governo Lula tem dado a alianças estratégicas com países como China e Rússia, reforçando laços que preocupam democracias liberais. No dia 17 de novembro, a revista britânica The Economist fez uma reportagem sobre a "lua-de-mel" entre Brasil e China. "O retorno de Trump ao cenário mundial pode frustrar os planos de Lula, mas ele tem um prêmio de consolação: seu relacionamento com Xi Jinping", afirmou o veículo. "Para celebrar os 50 anos desde que seus países estabeleceram relações diplomáticas, eles assinaram 37 acordos, abrangendo desde exportações de uva brasileira até cooperação em satélites. As relações sino-brasileiras 'estão em seu melhor momento na história', disse Xi, com Lula ao seu lado. Nos últimos meses, 'quem é relevante no Brasil esteve na China', afirma um ex-embaixador brasileiro em Pequim", continuou a reportagem, antes de lembrar a ameaça de Trump de impor tarifas de 100% a países do Brics caso o bloco queira promover o fim do dólar como moeda global. Outros posicionamentos do governo Lula, como a relutância em atestar a fraude eleitoral ocorrida na Venezuela meses atrás e sua posição confusa sobre a guerra na Ucrânia, têm afetado a imagem do país. Como mostrou reportagem recente da Gazeta do Povo, Lula descartou apoiar um plano internacional de paz para a Ucrânia apoiado pelas democracias liberais do Ocidente e deu suporte a uma proposta encampada por China e Rússia. No dia 17 de novembro, Mary Anastasia O'Grady, autora de uma coluna semanal sobre os outros países da América no jornal norte-americano Wall Street Journal, disse, em referência a Lula: "O dinossauro da Guerra Fria do Brasil não se apega tanto a ideais utópicos do socialismo quanto a uma sede pelo poder que um modelo corporativista altamente centralizado oferece. Ele prefere aliados que não fazem questão de um governo limitado, como os demais membros do grupo Brics — Rússia, Índia, China e África do Sul. O grupo busca reduzir o alcance do dólar e das instituições ocidentais nas finanças internacionais e minar sanções criando seus próprios mecanismos de empréstimo e moedas alternativas." A política externa sob Lula tem se distanciado da tradição pragmática do Brasil não só por sua tolerância e simpatia com a esquerda autoritária, mas também por sua adesão ao radicalismo progressista. Recentemente, o Itamaraty fez lobby pró-aborto ao pedir a inclusão do termo "saúde reprodutiva" em uma resolução do G77, como revelou a Gazeta do Povo. Abusos do STF no Brasil despertam preocupação de veículos estrangeiros A batalha do STF contra a liberdade de expressão também tem contribuído para uma imagem mais radicalizada e controversa do Brasil, reforçando a percepção internacional de instabilidade das instituições. A censura a redes sociais e usuários de direita liderada pelo ministro Alexandre de Moraes tem sido comparada a práticas de regimes autoritários por diversos veículos. Em agosto, a suspensão do X levou tanto o Washington Post como o New York Times a equipararem o Brasil a países como China, Rússia, Irã e Coreia do Norte, ressaltando que decisões judiciais têm restringido a liberdade de expressão de brasileiros. "Seja qual for a ameaça representada pelas contas que Moraes queria remover, a decisão de um funcionário do governo de limitar a expressão de 220 milhões de pessoas representa uma intimidação ainda maior. Somada à decisão de Moraes de congelar os ativos da Starlink, outra empresa de Musk, essa medida alinha o Brasil não com o mundo livre, mas com países como China e Rússia", afirmou o Post. Em outubro, o New York Times publicou outra reportagem sobre o STF com a seguinte linha introdutória: "A mais alta corte do Brasil expandiu seus poderes para proteger a democracia. Mas alguns se perguntam se a Corte agora representa a ameaça". Na matéria, o jornal ressaltou que Alexandre de Moraes "assumiu novos poderes para ordenar operações de busca contra pessoas que simplesmente criticaram o tribunal online, forçar organizações de notícias a retirar artigos do ar e instruir agentes fiscais a pararem de investigar outro ministro e sua esposa". O jurista norte-americano Tom Ginsburg afirmou ao jornal que "com seus novos poderes, a Suprema Corte do Brasil se tornou uma das cortes mais poderosas do mundo". À Gazeta do Povo, o mesmo jurista disse também em outubro: "Claramente, o Supremo Tribunal foi longe demais. Não é possível que as pessoas não tenham a liberdade de criticar as decisões do tribunal". Em setembro, no Wall Street Journal, Mary Anastasia O'Grady já havia dito que o STF está envolvido na política brasileira "até o pescoço", reprimindo a liberdade de expressão e destruindo o devido processo legal, destacando como o 8 de janeiro foi usado politicamente por Alexandre de Moraes. "Moraes usou esse evento para justificar excessos processuais, que incluem a manutenção de arquivos investigativos secretos sobre críticos declarados do Estado", afirmou. Não só veículos de comunicação, como também políticos estrangeiros têm demonstrado preocupação com a atuação abusiva do Supremo. Em setembro, parlamentares dos EUA pediram ao governo Biden a revogação do visto de Moraes e de outros juízes que atuam contra a liberdade de expressão no Brasil. "O juiz da Suprema Corte do Brasil Alexandre de Moraes tem um histórico bem documentado de restrição à liberdade de expressão, especialmente contra indivíduos e grupos com opiniões políticas conservadoras. As suas últimas ações representam o ápice de um padrão mais amplo de excesso judicial", disseram. Fonte:
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**Um guia sobre a censura promovida pelo Supremo Tribunal Federal** *Artigo de Leonardo Desideri publicado em 19/04/2024 na Gazeta do Povo* No Brasil, a liberdade de expressão da direita enfrenta severas restrições por parte do Judiciário, evidenciadas recentemente pelo Twitter Files Brasil e pelo documento que o Congresso americano expôs no início desta semana sobre o tema. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu diversos inquéritos com caráter sigiloso, alegadamente para investigar "fake news" e ataques contra seus membros e a democracia, silenciando dissidências e consolidando a capacidade do Judiciário de agir como acusador e julgador ao mesmo tempo. A ideia de que os princípios constitucionais estão sendo violados de forma contumaz pelo Judiciário já é admitida até mesmo por alguns formadores de opinião com viés de esquerda, que, embora não sofram o mesmo tipo de perseguição, enxergam uma ameaça grave à liberdade de expressão. Jornalistas e veículos de comunicação que questionam as decisões do Supremo têm sofrido perseguição judicial e censura; parlamentares são incluídos em inquéritos pelo simples fato de terem expressado opiniões contra o STF – em dois casos, já foram condenados a prisão; plataformas de redes sociais têm se retirado do país devido a pressões para censurar conteúdos. O desrespeito ao devido processo legal contra cidadãos de direita também se vê no julgamento de manifestantes do 8 de janeiro, que recebem condenações severas sem a comprovação de sua participação em atos violentos ou golpistas. O guia abaixo resume o quadro de ameaças à liberdade de expressão e de perseguição de um lado político por parte do Judiciário brasileiro. **O artigo 43, o inquérito do fim do mundo, e o labirinto jurídico de inquéritos** Em março de 2019, o Supremo Tribunal Federal anunciou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar "fake news" e "ataques" contra ministros do STF – o inquérito das fake news, chamado pelos críticos de "inquérito do fim do mundo". A Corte justificou a abertura desse inquérito com um artifício inusitado: usou uma regra do regimento interno do STF, o artigo 43, que permite à própria Corte a abertura de inquéritos em caso de ataques às dependências físicas do tribunal. Toda a internet passou a ser considerada dependência física do STF. Com essa manobra, o tribunal trouxe para si casos relacionados a críticas contra seus ministros nas redes, assumindo assim os papéis de juiz, vítima e acusador simultaneamente nesses casos. Tipicamente, casos envolvendo ofensas ou difamações contra os ministros deveriam ser encaminhados a tribunais comuns. Cinco anos depois, o inquérito ainda está aberto, e dele já derivaram vários outros inquéritos, também sem data definida de conclusão. Geralmente, investigações do tipo devem ter duração breve. O inquérito não indica um fato específico a ser investigado, o que contraria a Constituição e torna seu alcance praticamente ilimitado; além disso, viola o sistema acusatório, que exige separação entre o órgão com função de acusar e a autoridade com competência para julgar. Mantém-se sigilo da grande maioria das decisões e das fundamentações de decisões dos diversos inquéritos, o que impede que os envolvidos saibam por que estão sendo investigados. Advogados reclamam há anos da falta de acesso à íntegra dos autos dos processos, que se tornaram um labirinto jurídico típico do sistema judicial de ditaduras. **Jornalistas e órgãos de imprensa são censurados e perseguidos quando criticam a Corte, o sistema eleitoral e Lula** Em abril de 2019, Moraes ordenou a retirada de uma reportagem da revista Crusoé e do site O Antagonista, sob ameaça de multa diária de R$ 100 mil. A matéria colocava sob suspeita o ministro do STF Dias Toffoli em um caso de corrupção envolvendo o empresário Marcelo Odebrecht. Essa foi a primeira de uma série de censuras praticadas contra veículos de comunicação, não só no inquérito do fim do mundo, mas em diversas investigações derivadas do inquérito. Algumas delas: Em 2020, o canal Terça Livre, que criticava de forma veemente os ministros do STF, foi banido das redes e incluído no inquérito das fake news. Dias depois, o jornalista Allan dos Santos se autoexilou nos Estados Unidos, como forma de precaução contra a perseguição judicial. No começo do mesmo ano, Moraes já havia ordenado a prisão de outro jornalista, Oswaldo Eustáquio, no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos, instaurado após manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro consideradas "antidemocráticas". Nas eleições de 2022, após Moraes assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, meros questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro, especialmente em relação às urnas eletrônicas, mesmo quando feitos de forma sóbria, foram censurados indiscriminadamente. Um dos alvos da censura eleitoral foi a própria Gazeta do Povo, que teve removido pelo Tribunal Superior Eleitoral um post em que citava o apoio do presidente Lula ao ditador da Nicarágua, Daniel Ortega – uma verdade que foi classificada como "fake news". O TSE também atendeu a um pedido da campanha de Lula e abriu uma ação para investigar o presidente da emissora Jovem Pan por suposto uso indevido dos meios de comunicação. A emissora, que era uma das poucas a abrir espaço para comentaristas simpáticos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mudou sua linha editorial após a pressão da Justiça. **Parlamentares de direita são censurados, perseguidos e presos** Além de jornalistas, parlamentares de direita foram censurados, perseguidos e presos pelo STF e pelo TSE nos últimos anos. No começo de 2021, após um ataque verbal pesado contra ministros do STF publicado nas redes, o deputado Daniel Silveira foi preso preventivamente a mando de Moraes. O vídeo foi removido da internet. A alegação para a prisão e a remoção do conteúdo foi que Silveira estava atacando o Estado Democrático de Direito. Silveira cumpre hoje uma pena de 8 anos e 9 meses por causa do vídeo publicado. O STF criou em 2021 mais um inquérito, o das milícias digitais, para apurar uma suposta organização criminosa que agiria no mundo virtual fazendo ataques à Corte e à democracia. Nesse inquérito, ordenou a prisão preventiva do ex-deputado Roberto Jefferson, um crítico incisivo da Corte. Os inquéritos incluem boa parte dos principais políticos e parlamentares da direita brasileira, como o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, além de nomes como Filipe Barros, Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, Bia Kicis e Carla Zambelli. Em muitos casos, os parlamentares não sabem o motivo de sua inclusão nos inquéritos. O Judiciário também emitiu decisões contra parlamentares, o que gerou suspeita de perseguição política, como no caso do ex-deputado Deltan Dallagnol, um dos grandes protagonistas da Operação Lava Jato, que teve seu mandato cassado como parlamentar por uma peculiar manobra jurídica relacionada a uma questão administrativa. **Empresários que se manifestam contra o STF e o TSE são perseguidos** Empresários que apoiam financeiramente manifestações de direita ou que simplesmente se declaram em redes sociais e conversas particulares de forma crítica ao STF passam a ser investigados pelo Judiciário. Em 2020, empresários que simplesmente financiaram uma manifestação da direita foram incluídos no "núcleo da monetização" de uma investigação do STF contra uma alegada organização "antidemocrática". Em 2022, Moraes autorizou uma operação policial contra empresários que meramente conversavam por WhatsApp manifestando indignação contra a situação política do Brasil, entre eles Luciano Hang, das lojas Havan, Afrânio Barreira Filho, do grupo Coco Bambu, e Ivan Wrobel, da construtora W3. Eles teriam defendido um golpe de Estado em conversa privada por WhatsApp, o que, para Moraes, justificaria sua prisão. Em abril de 2024, o empresário sul-africano radicado nos EUA Elon Musk foi incluído como investigado no inquérito das milícias digitais. **Redes sociais são perseguidas; algumas saem do país diante da censura** Como mostrou o Twitter Files Brasil, o Judiciário brasileiro tem assediado redes sociais com pedidos de censura e ameaça de multas exorbitantes. Algumas redes cumprem as decisões; outras têm decidido sair do país. O Rumble se retirou do Brasil em dezembro de 2023, em protesto contra a censura e pressão governamental. A plataforma de vídeos já tinha cumprido ordens do STF removendo conteúdos. Em janeiro de 2024, a rede social Locals anunciou a saída do Brasil após pressões do STF para a remoção de perfis. O Telegram foi suspenso por Moraes no Brasil em 2022, mas conseguiu reverter a decisão do STF ao cumprir com exigências judiciais. A rede social X também está sob escrutínio no Brasil, com seu proprietário, Elon Musk, e outros representantes legais na mira dos inquéritos de Moraes. **Manifestantes que não praticaram violência são condenados a mais de uma década de prisão** Protestos da direita ocorridos em Brasília no 8 de janeiro de 2023, após a eleição de Lula em 2022, desembocaram em atos violentos, com manifestantes depredando prédios públicos. Moraes comanda também um inquérito relacionado a esses atos. Muitas das pessoas que estavam nas manifestações não praticaram atos violentos e nem sequer sabiam que o protesto resultaria em quebra-quebra. Ainda assim, milhares dessas pessoas foram presas preventivamente sem respeito ao devido processo legal, e centenas estão sendo condenadas a prisões de mais de dez anos. Cleriston Pereira da Cunha morreu dentro do presídio em novembro de 2023 após um mal súbito relacionado a um problema de saúde. Sua morte ocorreu três meses depois de Cleriston obter parecer favorável da PGR para sua liberdade provisória. O documento não tinha sido apreciado por Moraes. Iraci Nagoshi, uma dona de casa de 71 anos que achava que a manifestação seria pacífica e não participou dos atos violentos, foi condenada a 14 anos de prisão por Moraes. Uma faxineira de 38 anos, mãe de dois filhos – um de nove anos e outro de 19 – foi presa segurando um terço e uma bíblia enquanto se protegia de bombas de gás durante os atos de 8 de janeiro, sem provas de que tenha praticado atos violentos. Ela foi condenada por Moraes a 17 anos de prisão. Aproximadamente 100 pessoas já foram condenadas, muitas delas em situações semelhantes às dos exemplos acima. As penas variam de 12 a 17 anos de prisão. O STF alega que os manifestantes cometeram o crime de "abolição violenta do Estado Democrático de Direito". Apesar da depredação dos prédios públicos, nenhum deles estava armado, e não há nenhuma comprovação de que eles tenham se organizado para derrubar o poder constituído. A tese do golpe também serve para a elaboração de narrativas sem nexo usadas para perseguir personalidades da direita, como no caso recente de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, preso há quase dois meses sob a alegação de que ele teria tentado fugir do país em dezembro de 2022. Martins está preso em razão de uma viagem que nunca existiu. Fonte:
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**Esta semana você verá mudanças em casos de liberdade de expressão no Brasil** *Artigo de Madeleine Lacsko publicado em 08/02/2025 na Gazeta do Povo* A liberdade de expressão no Brasil está no centro das atenções internacionais esta semana. Entre os dias 9 e 14 de fevereiro, a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) fará sua primeira visita oficial ao país para avaliar a situação desse direito fundamental. Essa visita, que ocorre sob convite do Estado brasileiro, representa um momento crucial para a discussão sobre a censura, o uso indevido de mecanismos estatais contra opositores e a aplicação seletiva de normas para restringir o debate público. A Organização dos Estados Americanos (OEA), fundada em 1948, é o organismo regional mais antigo do mundo e atua na promoção da democracia, defesa dos direitos humanos, segurança e desenvolvimento no continente americano. Dentro desse escopo, a CIDH desempenha um papel essencial na fiscalização da situação dos direitos humanos nos países membros, sendo a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão um de seus braços mais ativos. Criada em 1997, essa relatoria busca fortalecer o direito à liberdade de pensamento e expressão, promovendo boas práticas e denunciando abusos cometidos contra jornalistas, comunicadores e cidadãos. A visita ao Brasil ocorre em um momento no qual diversas decisões judiciais e administrativas têm sido questionadas por sua compatibilidade com o direito à liberdade de expressão. O Artigo 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, documento que orienta a atuação da CIDH, estabelece de forma clara: "1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e ideias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei e ser necessárias para assegurar: a) o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas; ou b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de frequências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de ideias e opiniões." A chegada da Relatoria ao Brasil já começou a gerar repercussões, e a tendência é que mais mudanças ocorram nos próximos meses. A análise das restrições ao discurso público e as formas como autoridades e instituições vêm utilizando o aparato estatal para regular o debate político e social deverão ser discutidas em profundidade. Tive a honra de ser convidada a falar ao relator sobre o cerceamento judicial da minha liberdade de expressão. Um fator que adiciona peso a essa visita é a mudança de postura nos Estados Unidos, onde os ventos políticos passaram a soprar em outra direção. Com Donald Trump no poder, há uma tendência muito menor de complacência com governos que promovem restrições à liberdade de expressão em nome da "defesa da democracia". A proximidade histórica entre Washington e a OEA sugere que a visita da Relatoria ao Brasil pode ter impactos significativos, já que a administração americana parece menos inclinada a ignorar práticas que violem os princípios do direito à livre manifestação. Nos próximos dias, será possível acompanhar de perto como essa visita influenciará os debates no Brasil. O que está em jogo é muito mais do que um relatório técnico; trata-se da definição dos limites para a censura estatal e a possibilidade de reconstruir um ambiente de liberdade no país. Se a Relatoria cumprir sua missão com a isenção e seriedade que se espera, o Brasil pode estar no início de um processo de reequilíbrio na proteção da liberdade de expressão. Fonte:
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**Perfis bloqueados por ordem de Moraes são reativados às vésperas de visita de comitê da CIDH** *Editorial da Gazeta do Povo publicado em 08/02/2025* Após a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de desbloquear, na sexta-feira (7), as redes sociais do influenciador digital Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, várias outras contas bloqueadas pelo ministro há anos começaram a voltar ao ar. Uma conta no X do empresário Luciano Hang, bloqueada desde 2020 por Moraes, voltou ao ar neste sábado (8). A mesma coisa aconteceu com os perfis do jornalista Guilherme Fiuza e de Bernardo Küster, que tiveram suas redes sociais bloqueadas após serem incluídos no Inquérito da Fake News, conduzido por Alexandre de Moraes. O desbloqueio das contas nas redes sociais acontece na véspera do início da visita da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que chega ao país na próxima segunda-feira (9), para analisar a situação da liberdade de expressão no país. Nas redes sociais, a coincidência chamou a atenção dos internautas, que sugeriam tratar-se de uma estratégia para tentar encobrir os casos de censura que têm sido praticados pelo Judiciário brasileiro. “Moraes acha que somos TOLOS, BURROS e TAPADOS. As redes 'liberadas' por ele, às vésperas da visita da CIDH, não foi por acaso ou bondade: TRATA-SE DE ESTRATÉGIA para 'limpar a barra' e legitimar a censura, com certificação padrão CIDH. Só um tolinho para cair nessa...”, escreveu Paulo Faria, advogado do ex-deputado Daniel Silveira. Silveira foi preso novamente por ordem de Moraes em dezembro de 2024. A relatoria da CIDH deve passar por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Nessas cidades, a delegação buscará ouvir autoridades dos Três Poderes (incluindo ministros do STF), membros do Ministério Público, organizações de direitos humanos, jornalistas, representantes de plataformas digitais, veículos de imprensa e universidades. O objetivo, segundo a organização, é compreender a “diversidade de perspectivas e experiências em relação à situação do direito à liberdade de expressão, incluindo no espaço digital”. No ano passado, a CIDH suspendeu de última hora uma reunião com parlamentares brasileiros que foram até os EUA para denunciar casos de censura no país. O argumento para a suspensão da reunião foi um convite do governo Lula para que o relator especial para liberdade de expressão da CIDH visitasse o Brasil. Os parlamentares queriam apresentar pessoalmente à comissão denúncias de abusos em processos em andamento no STF, com suspensões de contas em redes sociais — afetando parlamentares, influenciadores, jornalistas e até cidadãos comuns. Fonte:
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The Narrator 1 year ago
**“Estaremos prontos para eles?” A direita brasileira e a vida fora dos ciclos eleitorais** *Artigo de Flávio Gordon publicado em 30/01/2025 na Gazeta do Povo* A direita brasileira tem – ao menos – um grande problema: a incapacidade de se preparar para a derrota em tempos de triunfo e para a vitória em tempos de tribulação. Quase sempre reféns dos cálculos e estratégias concebidos em vista do próximo ciclo eleitoral. Em geral, os direitistas brasileiros (e aqui falo apenas dos que se envolvem publicamente com a política) não se organizam para atuar, por assim dizer, desde fora da posição nominal de poder e do esquema eleitoral-partidário. Há pouco planejamento, pouca articulação e quase nenhuma elaboração de documentos com metas de longo prazo. Não há cadernos de teses, eventos para a elaboração de pautas consensuais, fóruns de debates, criação de instituições, associações, think tanks e outras pessoas jurídicas concernidas com a inserção de uma agenda de direita no debate político nacional. Tudo se passa como se a mera sugestão de raciocinar fora da lógica eleitoral imediatista consistisse numa espécie de pecado, seja o do idealismo inocente ou, ao contrário, o da defesa de interesses escusos. E assim, acusado quer de burro, quer de oportunista, o direitista interessado no surgimento de uma força política duradoura e transcendente às vitórias e derrotas eleitorais acaba sem ter muito com quem dialogar. O exemplo americano torna muito evidente essa fragilidade da nossa direita. A vitória eleitoral de Trump não surgiu do nada, e, muito embora esse fator tenha grande peso, não foi obra exclusiva de uma personalidade individual forte e talhada para a liderança. Em pleno governo Biden, antes do início do ciclo eleitoral, a direita americana vinha se preparando para o que fazer quando – e não se – o candidato Republicano se sagrasse vitorioso. É claro que, no plano das coisas, esse “quando” poderia não ter chegado, e o seu candidato poderia ter sido derrotado. Mas o que importa é que as forças de direita nos EUA raciocinaram e agiram como se a vitória eleitoral fosse já uma realidade iminente, cujos frutos políticos teriam de ser aproveitados ao máximo, com planejamento, inteligência e organização. Ou seja, a direita americana não esperou a subida ao poder para, só então, implementar, quiçá de improviso, a sua agenda. Ao contrário, ela compreendeu que a construção meticulosa e a imposição de sua agenda no debate público são a precondição para a conquista do poder. A premissa para o planejamento das ações era a vitória, e não a derrota. O raciocínio não foi “já que não podemos ganhar, ao menos tentemos alguma concessão do inimigo vitorioso,” mas “já ganhamos e the winner takes it all”. Já em janeiro de 2023, por exemplo, o maior think tank conservador americano, a Heritage Foundation (HF), começava a elaborar o seu Projeto 2025 – um documento de mais de 900 páginas, assinado por centenas de intelectuais, formadores de opinião, estrategistas e personalidades políticas, com participação de outras dezenas de instituições afins à HF, que apresentava um plano conjunto visando a preparar o terreno para “uma Casa Branca mais amigável à direita”. Os autores desse importante documento político, que serviu na prática como um plano informal de transição presidencial, fizeram um profundo exame de consciência sobre o primeiro governo Trump, concluindo que a falta de planejamento, organização e formação de quadros os forçou a ceder em demasia ao establishment político, impossibilitando a implementação de uma agenda verdadeiramente de direita no país e permitindo o contra-ataque quase letal do inimigo. Nas palavras de Spencer Chretien, diretor do HF: “Durante décadas, enquanto a esquerda avançava nas instituições americanas, os conservadores foram superados tanto em estratégia quanto em influência na arte de governar. Uma das razões para isso é que o establishment republicano nunca superou a década de 1980. Os conservadores de Washington ainda priorizam a economia de oferta e uma política externa belicosa acima de tudo. A crença em um governo pequeno, curiosamente, levou alguns conservadores a acharem que deveriam liderar pelo exemplo e não preencher todas as nomeações políticas. A crença na primazia do Estado de segurança nacional fez com que administrações conservadoras delegassem decisões políticas a generais e à comunidade de inteligência. O resultado foram décadas de decepções. Felizmente, essa situação está mudando. O movimento conservador está cada vez mais ciente do momento atual nos Estados Unidos. Mais políticos estão dispostos a usar o governo para concretizar suas visões, porque a neutralidade de ‘manter o governo fora disso’ sempre perderá para o vasto poder da esquerda. Os apelos por uma ‘nova Comissão Church’ representam uma mudança significativa de postura; enquanto os conservadores antes criticavam o projeto original do senador esquerdista Frank Church como um ataque absurdo contra ‘os bravos homens e mulheres da nossa comunidade de inteligência’, agora somos nós que estamos pressionando o Congresso a investigar as agências de inteligência (...) Os suspeitos de sempre da classe política permanente estarão prontos para a próxima administração conservadora. Estaremos nós prontos para eles?”. Na página oficial do Projeto 2025, encontramos uma firme declaração de princípios e motivos, bem como um claro estabelecimento de metas: “O Projeto 2025 é um movimento histórico, formado por mais de 100 organizações respeitadas do movimento conservador, com o objetivo de desmantelar o ‘Estado Profundo’ e devolver o governo ao povo. Seu documento Mandate for Leadership: The Conservative Promise, publicado em abril de 2023, é resultado do trabalho de mais de 400 estudiosos e especialistas em políticas públicas de todo o país. O livro apresenta uma série de propostas para enfrentar os desafios mais profundos dos Estados Unidos e colocar o país de volta nos trilhos, incluindo: Proteger a fronteira, concluir a construção do muro e deportar imigrantes ilegais; Desarmar o governo federal, aumentando a responsabilização e a supervisão do FBI e do DOJ; Liberar a produção de energia americana para reduzir os preços de energia; Reduzir o crescimento dos gastos governamentais para combater a inflação; Tornar os burocratas federais mais responsáveis perante o presidente e o Congresso eleitos democraticamente; Melhorar a educação transferindo o controle e o financiamento das escolas dos burocratas de Washington diretamente para os pais e governos estaduais e locais; Proibir a participação de homens biológicos em competições esportivas femininas”. Em 2017, quando entrou pela primeira vez na Casa Branca, faltava a Trump um grupo consistente de aliados de confiança, que compartilhassem sua ideologia “America First” e sua pegada nacional-populista. Em 2025, esse grupo existe e conta com dezenas de milhares de integrantes, muitos deles preparados por iniciativas como as da HF e de outros think tanks conservadores, que ademais ajudam a pautar o novo governo de direita. Note-se que, já em seu primeiro dia no cargo, o presidente americano tratou de cumprir alguns dos itens elencados no Projeto 2025. Mas, ainda que Trump não execute todo o programa anunciado no documento da HF (do qual, por motivos estratégicos, procurou se distanciar no decorrer da campanha), é certo que adotará muitas de suas recomendações para reestruturar o Estado americano, o qual, contrariamente ao que se passou em sua primeira administração, deverá agora servir de instrumento à implementação efetiva do mandato popular concedido ao presidente eleito, consagrando uma mera vitória eleitoral em vitória política – uma diferença fundamental, que boa parte da direita brasileira parece não enxergar. É legítimo imaginar que, ao final do novo mandato de Donald Trump, os Estados Unidos serão um país irreconhecível, pois que muito distinto daquele dos últimos 40 anos, desde ao menos o governo de Bush pai, quando o Deep State começou lentamente a assumir o protagonismo, substituindo o “We, the People” da Constituição pelo “We, the burocrats”. Mas serão também, possivelmente, o mesmo país de sempre, tal como fundamentalmente concebido pelos Pais Fundadores, cujos vultos o movimento trumpista busca verdadeiramente honrar, e cujas estátuas vinham sendo derrubadas pela esquerda radical ligada ao Partido Democrata contemporâneo. E quanto à direita brasileira? Será ela capaz de se preparar para uma possível vitória política futura, posto que aparentemente tão distante e improvável nas presentes circunstâncias? Será, ao menos, capaz de se preparar para novas possíveis derrotas eleitorais, sem entregar de antemão, por derrotismo existencial ou frenesi arrivista, princípios, valores e coerência? Estará disposta ao necessário exercício de autocrítica, fora do espírito autofágico das tretas de rede social? Quanto a isso, só o tempo dirá... O que se pode afirmar com certeza é que, tanto em caso de vitória quanto de derrota, a direita brasileira precisará de clareza de princípios, formulação de objetivos (políticos, não eleitorais) e planejamento de ações. A não ser que se contente em viver de espasmos ciclotímicos e rompantes de ébria euforia seguidos de ressaca moral. Uma direita eternamente presa no triste verso de Manuel Bandeira: “A vida inteira que podia ter sido e que não foi”. Fonte:
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Entrada em favelas, uso de helicóptero: como o Judiciário interfere no trabalho da polícia e na segurança Artigo de Juliet Manfrin publicado em 05/02/2025 na Gazeta do Povo O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a julgar nesta quarta-feira (5) a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635 que ficou conhecida como a ADPF das Favelas. Os ministros vão decidir se uma série de limitações a operações policiais em favelas do Rio de Janeiro continuarão em vigor ou serão alteradas. Essas restrições ao trabalho da polícia vêm sendo impostas por decisões liminares do STF desde 2019 e tinham inicialmente o alegado objetivo de reduzir a violência policial. Naquele ano, a polícia foi impedida de fazer operações em morros de favelas por causa da pandemia de Covid-19. Depois disso, outras medidas foram impostas, como a proibição do uso de helicópteros em ações policiais e a obrigatoriedade de a polícia comunicar a órgãos locais sua intenção de fazer operações, o que tirou o fator surpresa das ações. A ADPF tramita na Corte desde 2019 por iniciativa do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do vice-presidente Geraldo Alckmin, que questiona a “letalidade e o desrespeito aos direitos humanos nas operações policiais no Rio de Janeiro”. O julgamento foi suspenso em novembro do ano passado após a leitura do relatório do ministro Edson Fachin, relator da ação, e das manifestações das partes do processo. O PSB justificou, ao ingressar com a ação, que “em vez de buscar prevenir mortes e conflitos armados, incentiva a letalidade da atuação dos órgãos policiais”. Todas as medidas adotadas pelo STF são intervenções controversas em atribuições do governo local e ajudaram no fortalecimento das facções criminosas, segundo analistas ouvidos pela reportagem. “Algumas decisões da Justiça são tomadas sem o devido embasamento técnico e prático com foco principal na proteção de quem está confrontando com a polícia [criminosos], sem considerar o necessário apoio e proteção dos policiais e da sociedade. Estas decisões dificultam o trabalho policial e expõem a sociedade aos criminosos”, alerta o advogado, coronel da reserva da Polícia Militar e especialista em segurança pública, Alex Erno Breunig. Enquanto o Supremo e o governo investiam em políticas como desencarceramento de presos, descriminalização da maconha e "humanização" das abordagens policiais, o número de facções criminosas em operação no Brasil saltou de 72 para 88 entre 2023 e 2024, segundo relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), vinculada ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Nos últimos anos, 72 dessas facções atuaram exclusivamente no estado onde foram formadas, enquanto 14 expandiram sua influência para estados vizinhos. O relatório aponta que duas delas, o Comando Vermelho (CV), originalmente do Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, operam em nível nacional e internacional. “Endurecer as leis contra a polícia e afrouxá-las para os criminosos é uma sentença de morte para a verdadeira justiça e permite o avanço das facções. Há tempos que vemos ONGs e partidos políticos atuando contra a polícia, em prol do crime, e os tribunais superiores, principalmente o STF, têm dado guarida a esses pedidos absurdos em detrimento da população”, opina o investigador aposentado do serviço federal de inteligência, Sérgio Leonardo Gomes. Para Gomes, “se a justiça é cega, alguns ministros do STF só enxergam o que lhes convém”. A chamada ADPF das favelas não é a única ação das autoridades que está interferindo na ação da polícia. O combate ao crime vem sendo reduzido por ações do Executivo e do Judiciário sob a alegação de se preservar o respeito aos direitos dos criminosos e diminuir o número de vítimas inocentes nos choques entre policiais e bandidos. Veja abaixo as principais decisões e políticas que já vêm impactando ou podem interferir no combate ao crime organizado. Restrições à entrada da polícia em favelas A tentativa de restringir a liberdade de ação da polícia em áreas dominadas pelo crime organizado no Rio foi o foco inicial da ADPF das Favelas. Ela foi colocada em prática em 2020 sob a alegação de evitar que operações policiais prejudicassem ações de saúde pública ou ajuda humanitária durante a pandemia de Covid-19. As ADPFs são fruto de uma tese de ministros do STF de que a Corte tem que tomar medidas contínuas para corrigir o que considera problemas não tratados por autoridades. Mas isso não leva em conta que outros poderes podem não ter tomado certas medidas por entender que seriam negativas. Para analistas, a decisão do Supremo repete uma prática fracassada do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004) no Rio de Janeiro, em 1983. Ele proibiu a entrada da polícia nos morros argumentando que a construção de escolas para aumentar o nível de educação da população resolveria o problema da criminalidade. O resultado foi a consolidação da facção Comando Vermelho no estado. Por causa da atual ADPF das Favelas, desde 2020 as operações em áreas pobres dominadas pelo crime ficaram restritas a casos excepcionais. A polícia passou a ter que notificar o Ministério Público e outros órgãos e agências antecipadamente sobre as ações. Segundo decisão do ministro Edson Fachin, passou a ser necessário “aviso antecipado de operações para autoridades de saúde e educação, para que sejam protegidas as escolas”. As escolas e postos de saúde vazios também não puderam mais ser usados pela polícia como bases operacionais, o que aumenta a vantagem tática dos criminosos. Também foi iniciado o uso de câmeras corporais e o monitoramento do GPS dos carros de polícia. Além disso, uma rede de socorro médico a feridos tem que ser oficialmente mobilizada. O atual governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), disse que sua gestão cumpre as regras do STF, mas alerta que restrições à atuação da polícia servem para fortalecer o crime organizado. "Temos cumprido as regras, com redução de letalidade e câmeras nas operações, mas as restrições também fortaleceram o crime organizado, com mais disputas entre facções e aumento de barricadas", escreveu o governador em uma rede social. Na prática, operações de larga escala continuam acontecendo, mas a polícia do Rio quer o fim da ADPF das Favelas. O secretário da Segurança Pública, Victor César dos Santos, vem afirmando que o sigilo das operações fica comprometido por causa do processo de comunicação prévia aos atores envolvidos. “Se você avisar com antecipação quem quer que seja, não é uma operação com o caráter de flagrar criminosos. Se eu avisar outros entes que não figuras essenciais da segurança pública sobre operações, qual marginal você acha que ficará na comunidade? Ou mais, eles podem se armar até os dentes para avançar sobre a polícia e ter uma chacina de policiais. Para quem está no dia a dia das ruas, isso não existe”, destaca o sociólogo Marcelo Almeida. Uso de helicóptero da polícia foi restringido Em 2018, organizações não governamentais (ONGs) de defesa de direitos humanos começaram uma campanha para impedir que a polícia usasse seus helicópteros durante operações em favelas. Ativistas e moradores foram instruídos a gravar vídeos com celulares dos sobrevoos dos helicópteros durante ações nas quais é possível ouvir barulho de tiros. A ideia era alegar que a aeronave estava disparando e que havia um risco muito grande de balas perdidas atingirem moradores inocentes. A ação ganhou força quando um adolescente de 14 anos foi morto no Complexo da Maré e sua mãe deu entrevista ao vivo nas TVs mostrando o uniforme escolar do filho ensanguentado. Ativistas alegaram que o tiro partiu do helicóptero da polícia, mas posteriormente se descobriu que o tiro partiu de um confronto em solo entre criminosos e um blindado da polícia. Sérgio Leonardo Gomes descreve que muitas ONGs foram criadas ou "sequestradas" pelas máfias e facções criminosas para que atuem, inclusive no apelo judiciário, em prol da organização criminosa que os sustentam, não só seus membros, mas uma rede de corrupção que está infiltrada em todos os poderes e nas mais altas esferas. Em morros do Rio, os criminosos geralmente se posicionam no alto de lajes de construções para disparar sobre a polícia de uma posição mais alta, o que gera uma grande vantagem no combate. Ao usar o helicóptero com um atirador armado de fuzil, essa vantagem tática do crime organizado é minimizada ou anulada. Tribunais de primeira instância começaram a decidir sobre o caso e a PM parou de usar seus helicópteros, mas a Polícia Civil continuou. Em 2020, já no escopo da ADPF das Favelas, o STF restringiu totalmente o uso das aeronaves. No ano seguinte, os voos foram liberados, mas com a limitação de acontecerem apenas em operações excepcionais. “Segundo informações trazidas na ação, como um decreto estadual que autoriza a utilização de helicópteros em confronto armado direto, as aeronaves estavam sendo utilizadas como plataforma de tiro”, disse o STF em ação rebatida pelo governo do estado à época. O sociólogo Marcelo Almeida afirma que, diante de tantas determinações judiciais, muitos policiais estão acuados, deixando inclusive de operar suas funções constitucionais, com receio de responder a processos e passar por infindáveis investigações, em uma devassa profissional e jurídica. “Não se defende, sob nenhuma hipótese, uma polícia que mata, mas uma polícia operante, atuante, confiante e sem medo de fazer o que precisa, profissionais que precisam defender a própria vida. O que se vê, no entanto, são operadores da segurança inseguros em exercer suas funções diante de tantas limitações, determinações do Judiciário, de quem sequer sabe como ocorre a segurança pública na prática”. STF retoma julgamento sobre a legalidade da revista íntima em presídios Em mais uma ação que interfere em políticas de segurança pública, o STF retoma também nesta quarta (5) a análise de um recurso extraordinário que pode determinar a inconstitucionalidade das revistas íntimas em visitantes de presídios, assim como a nulidade das provas obtidas nesses procedimentos. O julgamento já contava com maioria formada no plenário virtual contra as revistas, mas foi interrompido após o ministro Alexandre de Moraes solicitar destaque, o que levou a sua reavaliação no plenário físico. Em outubro de 2024, o placar estava em seis votos contra a revista íntima e quatro a favor, faltando apenas o voto do ministro Luiz Fux. A maioria dos ministros entendeu que esse tipo de inspeção é degradante e viola direitos fundamentais, como a dignidade da pessoa humana e a privacidade. Além disso, a decisão pode impactar casos judiciais em que provas foram obtidas por meio dessas revistas, podendo levar à absolvição de acusados de tentar entrar com celulares e drogas em unidades prisionais. O debate gira em torno, segundo o STF, da necessidade de equilibrar direitos fundamentais com a segurança nos presídios brasileiros, que somam mais de 1.400 unidades. O relator do caso, ministro Edson Fachin, defende a proibição das revistas íntimas, argumentando que são práticas humilhantes e que as provas obtidas dessa forma são ilícitas. O ministro Cristiano Zanin acompanhou o relator, mas sugeriu que revistas superficiais sejam mantidas até que todos os presídios sejam equipados com scanners corporais e detectores de metais, o que poderia levar até 24 meses. Por outro lado, ministros como Alexandre de Moraes, Nunes Marques, Dias Toffoli e André Mendonça sustentam que a revista íntima é um recurso necessário para impedir a entrada de objetos ilícitos. Para eles, o procedimento deve seguir protocolos rígidos, como ser realizado apenas por agentes do mesmo sexo que o visitante. O caso analisado pelo STF envolve uma mulher flagrada tentando entrar com drogas escondidas no corpo em um presídio do Rio Grande do Sul. O Tribunal de Justiça do estado considerou que a revista impediu a consumação do crime, mas o Ministério Público recorreu, alegando que a proibição dessas inspeções pode prejudicar o combate ao tráfico de drogas dentro das prisões. A decisão do STF terá repercussão geral, ou seja, servirá como referência para todos os tribunais do país. Enquanto organizações de direitos humanos argumentam que as revistas são degradantes e violam garantias individuais, especialistas em segurança pública alertam para o risco de aumento no fluxo de drogas e celulares para dentro das prisões caso a prática seja proibida. Com interferência sobre o legislativo, STF descriminalizou uso da maconha O STF definiu em junho do ano passado, em uma ação que deveria ter sido adotada pelo Legislativo, a tese de repercussão geral sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal. Por maioria, os ministros estabeleceram que será considerado usuário quem for flagrado com até 40 gramas de cannabis ativa ou até seis plantas fêmeas. No julgamento de Recurso Extraordinário, a Corte concluiu que o porte de maconha não configura crime, mas uma infração administrativa, sem impacto na ficha de antecedentes criminais. As sanções previstas incluem advertência sobre os efeitos da substância e participação em programas educativos. Os ministros destacaram que a definição de 40 gramas ou seis plantas fêmeas não é absoluta e que a polícia pode apreender a droga e conduzir o indivíduo à delegacia, mesmo por quantidades inferiores, caso haja indícios de tráfico, como embalagem específica, variedade de drogas, balanças ou registros de venda. Por outro lado, o delegado deverá justificar detalhadamente qualquer decisão que descaracterize o porte para uso pessoal, evitando critérios arbitrários. O juiz do caso poderá considerar provas da condição de usuário para afastar o enquadramento como tráfico, mesmo se a quantidade apreendida for superior ao limite estabelecido. O STF determinou que o Conselho Nacional de Justiça, em conjunto com os poderes Executivo e Legislativo, implemente medidas para garantir o cumprimento da decisão. Além disso, recomendou a realização de mutirões carcerários com a Defensoria Pública para revisar e corrigir prisões que tenham desrespeitado os novos parâmetros. O tribunal também enfatizou a necessidade de aprimorar políticas públicas voltadas ao tratamento de dependentes químicos, evitando que usuários sejam “estigmatizados”. "Ninguém no Supremo defende o uso de drogas, pelo contrário, desestimulamos o consumo", afirmou o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, à época. Ele ressaltou que a falta de critérios claros tem sido uma política ineficaz e que a distinção entre usuário e traficante ajudará a reduzir o encarceramento excessivo, evitando que prisões sirvam como “fonte de recrutamento para o crime organizado”. Desencarceramento em massa: STF deve impor execução do Plano Pena Justa aos estados Na sequência da descriminalização da maconha, o STF iniciou o processo de homologação do chamado Plano Pena Justa, iniciativa do governo federal voltada ao desencarceramento em massa e à suposta melhoria das condições nos presídios brasileiros. Estados e o Distrito Federal terão prazos que variam de seis meses a três anos para implementar as medidas estabelecidas. O plano prevê ações como a ampliação do uso de tornozeleiras eletrônicas para reduzir a população carcerária, aumento da oferta de trabalho e renda para detentos, fortalecimento da Defensoria Pública para garantir o direito à defesa e melhorias nas condições sanitárias dos presídios, incluindo a emissão de alvarás de vigilância sanitária. Governadores, principalmente do Sul e Sudeste, manifestam preocupação com a medida. Argumentam que não foram consultados na formulação do plano e que ele pode gerar impactos preocupantes na segurança pública. Além disso, alguns gestores já demonstraram oposição a outras iniciativas do governo federal na área, como a PEC da Segurança Pública com base no Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O CNJ, mais uma vez, ficou responsável por monitorar o cumprimento do plano, enviando relatórios periódicos ao STF. A Suprema Corte justifica a necessidade da medida alegando superlotação nos presídios e violações massivas de direitos humanos. Especialistas apontam que o peso da implementação recairá sobre os estados, sem que tenham sido agentes decisivos na formulação das diretrizes e que isso deverá provocar, de imediato, reflexos no avanço da criminalidade. STF vai decidir neste mês se guardas municipais têm poder de polícia Em mais uma ação do Judiciário sobre a segurança pública, o STF retoma em 13 de fevereiro o julgamento de outro Recurso Extraordinário, que discute se as guardas municipais têm competência para realizar policiamento comunitário e preventivo em vias públicas. O tema, que já está em análise pelo plenário desde o fim do ano passado, conta até o momento com quatro votos a favor e um contra. Os ministros Dias Toffoli, Luiz Fux (relator), Flávio Dino e André Mendonça votaram a favor da autorização para que as guardas municipais exerçam essa função, enquanto Cristiano Zanin se posicionou contra. A decisão final do STF terá repercussão geral, ou seja, servirá como referência para todo o país. A Associação Nacional das Guardas Municipais destacou que o Supremo tem reforçado a necessidade de controle externo do policiamento, tarefa essa que segundo a entidade vem sendo desempenhada pelo Ministério Público. Como parte desse esforço, a AGM Brasil firmou um acordo de cooperação técnica com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), por meio da Ouvidoria Nacional de Combate à Violência Policial, para aprimorar a fiscalização e garantir que a atuação das guardas municipais seja eficiente e responsável. A decisão do STF sobre a atuação das guardas municipais pode impactar diretamente a segurança pública em diversos municípios brasileiros, definindo os limites e atribuições desses agentes no policiamento preventivo. Atualmente cerca de 30% das GMs estão armadas pelo país. São 1,3 mil municípios que contam com cerca de 100 mil pessoas em seus efetivos. Fonte:
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No labirinto da tirania Artigo de Francisco Razzo publicado em 05/02/2025 na Gazeta do Povo Franz Kafka morreu sem imaginar que seu nome se tornaria um adjetivo. Hoje, no direito, tudo o que é confuso, burocrático ou absurdo ganha seu epíteto. Entre suas obras, O Processo é aquela que melhor representa o espírito de nossa época com inquietante precisão. Josef K., o protagonista, é acusado de um crime indefinido por um tribunal opaco, cuja lógica escapa à razão. Sua condenação é inevitável, não pela culpa, mas pela própria natureza labiríntica do sistema. Nosso ordenamento jurídico, em muitos aspectos, parece escrito por Kafka. Decisões brotam de critérios movediços, distantes do princípio fundamental da isonomia. Regras elásticas, definições ambíguas e justiça subjetiva substituíram a promessa de igualdade perante a lei. Quando se busca coerência, depara-se com o absurdo; quando se exige neutralidade, surge o arbítrio disfarçado de narrativa da reparação histórica. Um exemplo recente: o Superior Tribunal de Justiça brasileiro decidiu que injúria racial contra brancos não configura crime. Só há racismo contra grupos em "posição social inferior". Assim, a cor da pele determina quem merece proteção legal. Ofensas a negros são tratadas como ataques à dignidade humana; a brancos, como legítima defesa. O Estado, nessa equação, assume o papel de medidor de dores subjetivas, calibrado por hierarquias identitárias cujo propósito é a vingança. Faça-se de vítima e tudo é permitido. O argumento repousa no conceito de racismo estrutural – teoria que, ao diagnosticar desigualdades históricas, transformou-se em dogma jurídico. Segundo essa visão, brancos são "beneficiários históricos e estruturais" de privilégios, logo, incapazes de sofrer racismo. A premissa, porém, é autorreferente: não admite contraditório, apenas reforça-se através de uma retórica que mistura ressentimento e engenharia social. O resultado é um direito flutuante, onde o crime deixa de ser fato objetivo para tornar-se interpretação política. A ativista norte-americana Angela Davis foi uma das vozes que abriram caminho para essa inversão. Na sua concepção de justiça racial, não se trata apenas de reparar injustiças. Mais do que isso, trata-se de reorganizar o próprio conceito de justiça. Se o sistema sempre operou em favor de certos grupos, ele deve agora inverter o mecanismo de poder. Criar compensações. Ajustar as contas do passado, mesmo que à custa da isonomia presente e perene entre todos os seres humanos. A justiça, então, deixa de ser um princípio universal e se torna um mecanismo de reparação histórica, de vingança. A ironia é trágica: na tentativa de corrigir discriminações, o sistema cria novas assimetrias. Ao judicializar hierarquias de opressão, a lei deixa de ser cega e passa a ter preferências por identidades. Se ontem queimavam estátuas em nome da justiça histórica, hoje relativiza-se a inviolabilidade humana – e amanhã? O perigo está na normalização de um direito seletivo, onde a dignidade varia conforme o grupo. Nesse contexto narrativo, um assassinato de rico por pobre poderia ser atenuado por inúmeros motivos. Um furto por "marginalizados históricos", descriminalizado e tratado como reparação social. O precedente é perigoso: quando a lei perde universalidade, abre-se o caminho para a tirania do relativismo. Sistemas jurídicos que abandonam a universalidade degeneram em instrumentos de arbitrariedade, já denunciava Kafka. O direito natural, embora hoje contestado por correntes positivistas e identitárias, nasce da premissa de que certos princípios – como igualdade, liberdade e dignidade – são inerentes à condição humana, não concessões do Estado. Esses valores não são condicionados por contextos históricos e agendas políticas. Quando o direito positivo rompe com essa universalidade, ele opera por cálculos de poder ou reparações coletivas. Ganha o mais forte. A lei não pode ser uma "engenhoca" ajustável a conveniências, pois sua força está na capacidade de representar um mínimo ético comum. A isonomia não significa ignorar desigualdades. Significa garantir que a resposta a elas não recrie exclusões. Eu só consigo dizer, hoje que o racismo foi uma aberração, porque o critério da dignidade é atemporal. O caso brasileiro ilustra o risco de se abandonar o racional em favor do intuitivo sentimentalista no direito. A intuição pode identificar injustiças históricas, mas só a razão – guiada por princípios universais – evita que a busca por reparação se transforme em nova opressão. O desafio é equilibrar sensibilidade contextual com a imparcialidade da lei. Sem esse equilíbrio, caímos no mesmo absurdo que Kafka denunciava: um processo sem sentido, onde a justiça se perde no labirinto da tirania. Fonte:
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Jornalista português finaliza filme contra o ministro Alexandre de Moraes Artigo de Erich Thomas Mafra publicado em 05/02/2025 na Gazeta do Povo. O jornalista português Sérgio Tavares anunciou em seu Instagram o lançamento de um novo documentário. Segundo a postagem, realizada ontem (5), o trabalho se chama The Fake Judge e abordará a figura de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). "Um repórter independente viajou por dez países, para recolher todos os testemunhos das vítimas de Alexandre de Moraes. Gravado no Brasil, Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos, Argentina, Bélgica, Alemanha e Índia, este é um documentário único, que vai expor a ditadura implantada no Brasil por Moraes, o 'ditador da Toga'", alerta o trailer disponibilizado. Com o subtítulo A História de uma Nação nas Mãos de um Psicopata, o filme juntará a própria história de Tavares com a de outros afetados por alguma ação do ministro. O português foi detido em fevereiro do ano passado, quando veio ao Brasil para participar de uma manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, Tavares teve seu passaporte retido pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos e revelou em sua conta no X: “Perguntaram, especificamente, sobre Alexandre de Moraes, Flávio Dino, vacinas, 8 de janeiro, tudo. Um português que vem simplesmente cobrir uma manifestação de apoio a Jair Bolsonaro é sujeito a isto tudo.” Junto do anúncio de The Fake Judge, que será lançado no YouTube em maio, o jornalista também já adiantou uma lista com os entrevistados do documentário. Os nomes confirmados são: Adalberto Piotto Allan dos Santos Bia Kicis Chris Smith Eduardo Bolsonaro Eduardo Girão Gustavo Gayer Jair Bolsonaro Karina Michelin Ludmilla Grilo Marcel Van Hattem Michael Shalenberger Nikolas Ferreira Oswaldo Eustaquio Paulo Figueiredo Silas Malafaia Fora as pessoas acima, Tavares afirma ter entrevistado refugiados do 8 de janeiro, familiares de Cleriston Pereira , os advogados de Cacique Cereré, Daniel Silveira e Débora Rodrigues. À revista Oeste, onde atua como comentarista, o português explicou o motivo que o fez produzir o filme. "A razão do documentário foi porque eu fiz uma promessa no dia 25 de fevereiro do ano passado, perante um milhão de pessoas na Avenida Paulista, em lágrimas, de que eu levaria a mensagem e o grito de revolta aos cinco cantos do mundo. E, no fundo, uma vingança pelo que a Polícia Federal me fez e pelo que o Alexandre de Moraes mandou fazer." Fonte: