Mais um acórdão, mais uma traição aos princípios da Direita.
Jorge Seif (PL-SC) confessou o acordão.
Após relatar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cobrou desistência da CPI do Master em troca de pautar dosimetria do 8/1, o senador bolsonarista disse:
“Vou fazer um documento com a oposição dizendo que concordamos com pauta única. Lógico que queríamos anistia, lógico que queríamos CPI do Master, mas a pauta humanitária pesou.”
O bolsonarismo, portanto, em razão do rabo dessa vez literalmente preso de seus líderes e seguidores, ajuda novamente o sistema a se blindar, como aconteceu a partir de 2019 com a sabotagem da CPI da Lava Toga e da Operação Lava Jato, em razão do rabo-preso de Flávio Bolsonaro, então investigado por “rachadinhas” e dependente da boa vontade de ministros do STF, como Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
O histórico de funcionários fantasmas em gabinetes e, depois, as presepadas contra urnas eletrônicas e o resultado eleitoral de 2022 serviram para garantir que os intocáveis da República do Escambo permaneçam como tais, impedindo o avanço de investigações independentes (que também atingem aliados, claro, como Ciro Nogueira e sua turma do Centrão).
Esse foi o xadrez 4D da suposta oposição nos últimos 7 anos e 4 meses, garantindo a impunidade alheia para beliscar um pedacinho dela, enquanto distraía o eleitorado nas redes e no WhatsApp com a velha polarização de fachada do Brasil.
Agora, para fins eleitorais, ressuscita-se uma promessa bissexta ou outra, como a redução da maioridade penal (aprovada em 2015 na Câmara dos Deputados e deixada de lado no Senado ao longo de todo o governo Bolsonaro, inclusive), ou a reedição da PEC do fim da reeleição (originalmente proposta por Jorge Kajuru e igualmente ignorada quando interessava aos Bolsonaro ficar no poder); acena-se ao eleitorado feminino embarcando em pautas da esquerda lulista e aventando uma mulher como vice na chapa; afaga-se o mercado com o nome de algum ministro supostamente liberal; afeta-se moderação com novos conchavos, e pronto: o senador que mais fortaleceu Lula e STF na década vira o candidato ideal para derrotar o consórcio (pelas mesmas urnas eletrônicas das eleições passadas) e resgatar o país.
“Lógico que queríamos” combater a corrupção, que prende o Brasil em ciclos de escândalos e atravanca o crescimento econômico, “mas” sabe como é: isso aí ‘a gente vê depois’.
Se você der uma lida nas postagens dos irmãos do Flávio Bolsonaro vai pensar que os adversários são Tarcísio, Zema, Ratinho, Moro, Constantino e Nikolas. E não o Lula.