# A soja brasileira e a guerra tarifária.
De acordo com a Bloomberg, a Cargill, uma das maiores empresas agrícolas do mundo, expressou preocupações sobre os impactos da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China em seus planos de expansão da capacidade de esmagamento de soja no Brasil. Paulo Sousa, presidente da Cargill no Brasil, destacou que o aumento da demanda chinesa por soja brasileira, impulsionado pelas tensões comerciais com os EUA, pode gerar maior competição interna por grãos. Isso afetaria a disponibilidade de soja para processamento em produtos como óleo, biocombustíveis e farelo, comprometendo os planos de investimento da empresa no setor de esmagamento. Embora a guerra comercial possa beneficiar as exportações de soja do Brasil no curto prazo, a concorrência por matéria-prima representa um risco para a lucratividade e a viabilidade de longo prazo das operações de processamento.[](
https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-04-28/cargill-sees-trade-war-posing-risk-to-its-brazil-soy-crush-plans)
**Comentários:**
O artigo reflete uma faceta importante do impacto das guerras comerciais no mercado agrícola global, especialmente em países como o Brasil, que se beneficiam inicialmente de desvios no comércio internacional, mas enfrentam desafios internos decorrentes do aumento da demanda. A posição da Cargill destaca um dilema: enquanto as exportações de soja podem crescer devido à preferência da China pelo produto brasileiro, a pressão sobre a infraestrutura de processamento local pode limitar os benefícios econômicos domésticos, como a agregação de valor por meio de produtos derivados da soja. Esse cenário também reforça a vulnerabilidade do Brasil a flutuações geopolíticas, já que a dependência de exportações de commodities o torna suscetível a mudanças nas políticas comerciais globais.
Além disso, a situação descrita no artigo sugere que empresas como a Cargill precisam equilibrar estratégias de curto e longo prazo. Investir em capacidade de esmagamento é essencial para diversificar a economia agrícola e reduzir a dependência de exportações de grãos in natura, mas a incerteza trazida pela guerra comercial pode forçar decisões mais conservadoras. Por fim, o caso ilustra como as tensões entre grandes potências, como EUA e China, têm efeitos em cascata que vão além de suas fronteiras, impactando cadeias de suprimento e estratégias corporativas em mercados emergentes.[](
https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-04-28/cargill-sees-trade-war-posing-risk-to-its-brazil-soy-crush-plans)[](https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-04-21/from-meat-to-grains-trade-war-is-a-boon-to-brazil-and-argentina)